Taxa de desemprego no Brasil cai para 5,2%, menor patamar desde 2012

Destaques
- •Taxa de desocupação atinge 5,2% no terceiro trimestre, menor nível desde 2012.
- •População ocupada bate recorde histórico com 103,6 milhões de pessoas.
- •Mercado de trabalho apertado pode pressionar inflação e limitar cortes de juros.
A taxa de desocupação no Brasil atingiu 5,2% no terceiro trimestre de 2026, o menor patamar para o período desde o início da série histórica em 2012. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma queda de 0,2 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (5,4%) e de 0,4 ponto percentual em comparação com o mesmo período de 2025 (5,6%).
A população desocupada diminuiu 4% no trimestre, totalizando 5,6 milhões de pessoas. Em relação ao ano anterior, a queda foi de 6,9%, com 417 mil pessoas a menos procurando trabalho. Paralelamente, a população ocupada alcançou um recorde histórico de 103,6 milhões de pessoas, um aumento de 0,6% no trimestre e de 1,2% no ano. O nível de ocupação, que mede o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, também atingiu um recorde de 59%.
Setores e Rendimento
O setor de construção civil se destacou no avanço da ocupação, com um aumento de 2,8% e a incorporação de 210 mil pessoas. O número de empregadores também bateu recorde, chegando a 4,5 milhões. O setor público também registrou um número recorde de trabalhadores, com 13,2 milhões de pessoas ocupadas, impulsionado por contratações na área municipal e em educação.
O rendimento real habitual médio dos trabalhadores ficou em R$ 3.790, estável no trimestre, mas com alta de 3,6% no ano. A massa de rendimento real habitual atingiu R$ 387,5 bilhões, a maior da série, com alta de 1,5% no trimestre e 4,7% no ano. A informalidade se manteve em 37,5%.
Impacto na Economia e Juros
Apesar dos números positivos do mercado de trabalho, analistas expressam cautela. O aquecimento do mercado de trabalho, com a redução do desemprego e o recorde de ocupação, pode gerar pressão inflacionária, especialmente em serviços, e restringir o espaço para o Banco Central acelerar os cortes na taxa básica de juros (Selic), atualmente em 13,75%. O pleno emprego eleva os custos para empresas prestadoras de serviços, que podem repassar esses aumentos para os consumidores.
O economista William Kratochwill, do IBGE, ressaltou que o terceiro trimestre é tradicionalmente favorável para o emprego, mas ponderou que o ritmo de alta pode ter sido influenciado pela espera dos resultados eleitorais por parte de tomadores de decisão. Outros analistas apontam que o mercado de trabalho pode estar próximo do seu pico, com sinais de desaceleração na abertura de vagas a partir de agora, projetando uma taxa de desemprego em torno de 5,4% ao final de 2026.
Matérias originais
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