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Tamara Klink indica livros sobre natureza, poesia e antíteso da performance

22 de outubro de 2026
Tamara Klink indica livros sobre natureza, poesia e antíteso da performance

Destaques

  • •Navegadora Tamara Klink compartilha suas leituras favoritas em entrevista à Forbes Brasil.
  • •Livros indicados exploram a relação entre o ser humano e a natureza, a metalinguagem e a crítica ao "culto da performance".
  • •As obras incluem poesia contemporânea, reflexões sobre robustez em sistemas biológicos e relatos de viagem etnográfica.

A navegadora, arquiteta naval e escritora Tamara Klink, conhecida por suas expedições solitárias e por seguir os passos do pai, Amyr Klink, compartilhou suas leituras favoritas em entrevista ao Forbes Book Club. Klink, que já cruzou o Atlântico sozinha e o Ártico pela Passagem Noroeste, destacou obras que exploram a relação entre o ser humano e a natureza, a poesia e uma crítica ao que ela chama de "culto da performance".

Em sua mais recente aventura, Tamara partiu do Alasca em julho para uma travessia solo com destino ao Atlântico, buscando conectar os oceanos Pacífico e Atlântico. Suas expedições inspiraram livros, como "Bom Dia, Inverno", onde relata oito meses vivendo sozinha em um veleiro na Groenlândia. Para essa jornada, levou consigo, além de mantimentos, livros como "Cartas a um Jovem Poeta" e "Walden".

Poesia e a relação com o mundo

Entre as indicações, destaca-se "O Livro das Semelhanças", de Ana Martins Marques. Tamara descreve a obra como um "livro divertido e esperto", onde os poemas brincam com a estrutura literária e mapeiam a linguagem. A obra é dividida em quatro seções que abordam os elementos de um texto, mapas e territórios, o cotidiano e as analogias entre as coisas e o mundo.

A poesia, segundo Klink, divide espaço com ensaios que aprofundam a conexão humana com o ambiente natural. "Navegar é caro, lento e perigoso. E ainda assim é uma fonte de prazer. Se minhas histórias abrirem fresta pra alguém – no mar ou em terra -, já valeu", afirmou em entrevista à Forbes Brasil.

Robustez contra a performance extrema

Outra obra citada é "Antidote au Culte de la Performance", de Olivier Hamant. O livro, que ainda não foi publicado no Brasil, aborda a armadilha da performance na sociedade moderna, onde eficácia e eficiência são vistas como valores morais. Segundo Tamara, a busca extrema pela performance, embora traga bons resultados a curto prazo, torna os sistemas humanos e ecológicos mais frágeis em momentos de crise.

Hamant, um pesquisador, utiliza exemplos da natureza para analisar esse paradoxo. Ao contrário das máquinas, os sistemas biológicos buscam a robustez, que se baseia em multiplicidade de caminhos e margem de erro, em vez de otimização absoluta. A robustez é apresentada como um antídoto para a fragilidade gerada pela busca incessante por performance.

Relatos de viagem e a fronteira entre o humano e o natural

"Escute as Feras", da antropóloga francesa Nastassja Martin, é um relato de viagem à Rússia, onde a autora busca famílias do povo even nas florestas siberianas. A narrativa ganha um novo rumo com o encontro inesperado com um urso, experiência que leva Martin a refletir sobre as fronteiras entre o humano e o natural.

Tamara descreve o livro como um "relato vertiginoso" que rompe com a dicotomia entre mito e realidade. A obra explora o conceito da palavra even miêdka, que descreve a transformação de uma pessoa após um encontro com um urso, tornando-a tanto humana quanto urso, uma fusão de identidades.

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