Trump quer renomear IA para 'superinteligência'; especialistas questionam

Destaques
- •O presidente dos EUA, Donald Trump, propôs a mudança do termo 'inteligência artificial' (IA) para 'superinteligência' (SI), alegando que o nome atual soa 'falso'.
- •Especialistas em IA divergem sobre a proposta, vendo-a mais como um movimento político ou de marketing do que uma mudança técnica, e alertam para o risco de aumentar o medo da tecnologia.
- •A discussão ocorre em um momento de 'corrida pela AGI' (Inteligência Artificial Geral), com os EUA buscando demonstrar soberania tecnológica, mas ainda não há comprovação científica de superinteligência.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou o desejo de renomear a inteligência artificial (IA) para 'superinteligência' (SI). A sugestão, apresentada em discursos e enquetes em sua rede social Truth Social, visa, segundo ele, eliminar a percepção de que a tecnologia é 'falsa'. A proposta, no entanto, tem gerado ceticismo entre especialistas, que a veem mais como uma jogada política ou de marketing do que uma mudança com impacto técnico ou científico.
Origem do termo 'Inteligência Artificial'
A expressão 'inteligência artificial' surgiu em 1955, nos Estados Unidos, a partir do trabalho de pesquisadores como John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester. O objetivo era criar uma nomenclatura para pesquisas que combinavam matemática, engenharia e estatística para desenvolver máquinas capazes de demonstrar raciocínio semelhante ao humano, algo que não se encaixava no conceito de software tradicional da época. Pesquisadores se reuniram no Dartmouth College com o objetivo de fazer computadores realizarem tarefas que exigem inteligência humana, mas não chegaram a um consenso prático sobre o desenvolvimento da tecnologia.
Antes disso, nomes como Alan Turing já exploravam a possibilidade de máquinas pensantes na década de 1940. Em 1948, Norbert Wiener cunhou o termo 'cibernética' para estudar sistemas que usam informações sobre suas próprias ações para ajustar seu funcionamento. Foi nesse contexto que McCarthy escolheu 'inteligência artificial' para diferenciar o campo da cibernética, focando no raciocínio e autonomia das máquinas.
Por que Trump quer mudar o nome e o que os especialistas pensam
Donald Trump tem insistido na substituição do termo, chegando a afirmar que trataria como 'inimigo' quem usasse 'inteligência artificial'. Especialistas ouvidos pelo g1 questionam a proposta. Anderson Soares, professor e fundador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da UFG, considera que a tentativa de Trump tem mais relação com interesses políticos do que com o desenvolvimento da tecnologia, vendo-a como um 'contragolpe' para paralisar o avanço da IA.
Cleber Zanchettin, professor da UFPE, aponta que a fala de Trump na ONU, ao dizer 'vamos ver se isso vai dar certo', revela uma 'jogada de marketing para chamar atenção, sem efeito prático'. Allan Pscheidt sugere que a proposta pode ser uma demonstração de poder e soberania dos EUA na corrida pela AGI (Inteligência Artificial Geral), comparando a situação à corrida espacial. Ele ressalta que, até o momento, não há comprovação científica de que a superinteligência já exista.
Impacto e receio com o novo termo
Especialistas alertam que a mudança de nome pode aumentar o medo e a rejeição à tecnologia. Cleber Zanchettin explica que a população em geral tem pouco conhecimento sobre IA e que termos como 'superinteligência' ou 'inteligência suprema' podem soar como uma ameaça. Pesquisas indicam que a maioria das pessoas está mais preocupada do que animada com o avanço da IA. Uma pesquisa do Pew Research Center mostrou que 52% dos brasileiros sentem mais preocupação. Nos EUA, cerca de nove em cada dez americanos expressam o mesmo sentimento, segundo pesquisa da CNN.


