Suprema Corte dos EUA rejeita pedido de Trump para bloquear 20 mil cédulas na Califórnia

Destaques
- •A Suprema Corte dos EUA negou um recurso de emergência do governo Trump para impedir a contagem de 20 mil cédulas na Califórnia.
- •O governo alegava que as cédulas poderiam ser de não cidadãos, mas o tribunal de apelação considerou que não havia evidências suficientes e que o pedido violaria a autonomia estadual.
- •A decisão ocorre na véspera das eleições de meio de mandato nos EUA, com o governador da Califórnia prometendo processar qualquer tentativa de interferência.
A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou, na véspera das eleições de meio de mandato, um pedido do governo do presidente Donald Trump para bloquear a contagem de 20 mil cédulas por correspondência na Califórnia. O governo federal alegava que as cédulas poderiam ter sido enviadas por pessoas não autorizadas a votar por não serem consideradas cidadãs do país.
A decisão do tribunal de apelação em negar o recurso de emergência apresentado pelo Departamento de Justiça representa um revés para a gestão de Trump. Enquanto o governo federal defendia que essas cédulas não deveriam ser contadas até que o status dos eleitores fosse verificado, as autoridades da Califórnia argumentavam que a lista fornecida pelo governo era pouco confiável e provavelmente incluía muitos cidadãos americanos.
Impasse legal e pedido do governo
Nas semanas anteriores, a Califórnia e o governo Trump estiveram em um impasse legal sobre o assunto. Em 15 de outubro, o Departamento de Justiça entregou um pen drive com nomes de supostos “não cidadãos” aos oficiais eleitorais de Los Angeles e Sacramento, exigindo a revisão da lista em 48 horas. O órgão oficial também ameaçou processar caso as cédulas não fossem retidas até a verificação da cidadania dos eleitores.
No entanto, os oficiais eleitorais locais recusaram o pedido. O juiz David Carter, do Distrito Central da Califórnia, considerou que a solicitação do Departamento de Justiça violaria a autonomia do estado para organizar suas próprias eleições e colocaria em risco o direito de voto, especialmente diante de acusações que ele considerou infundadas.
Reação da Califórnia
O secretário e registrador do condado de Los Angeles, Dean Logan, afirmou que o Departamento de Justiça não apresentou evidências, fontes ou metodologia que sustentasse suas alegações sobre a inelegibilidade dos eleitores listados. Em resposta à ordem do governo de colocar agentes federais nos locais de votação, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, anunciou o envio de advogados e observadores eleitorais em nível estadual.
Newsom declarou publicamente que a Califórnia está “mortalmente séria” quanto à segurança das eleições e que processaria qualquer um que ajudasse Trump a interferir nas cédulas. Ele garantiu que os californianos merecem uma eleição livre e justa, e que é isso que será entregue.
Matérias originais
- Suprema Corte dos EUA barra tentativa de Trump de forçar Califórnia a anular votos · operamundi.uol.com.br



