Colômbia: Plano de 4 anos para impulsionar agricultura regenerativa

Destaques
- •Relatório técnico protocolado com o governo federal propõe plano de quatro anos para disseminar a agricultura regenerativa na Colômbia.
- •O plano visa superar gargalos financeiros e de titularidade de terra, incentivando modelos de finanças mistas e crédito facilitado para pequenos produtores.
- •Cinco eixos prioritários incluem eficiência produtiva, qualidade nutricional, equilíbrio ambiental, bem-estar social e segurança jurídica no campo.
A Colômbia, apesar de seu vasto potencial agrícola, enfrenta desafios significativos com 28% de insegurança alimentar e um recuo de 2,1% no valor agregado da agropecuária no último trimestre. Diante desse cenário, um relatório técnico foi protocolado junto ao governo federal, delineando um plano de quatro anos para disseminar o modelo de agricultura regenerativa em todo o território colombiano. A iniciativa, organizada por agências multilaterais como a FAO e a OIT, corporações privadas lideradas pela Nestlé da Colômbia, ONGs ambientalistas e centros científicos, busca transformar a agricultura em uma prática sustentável e norma setorial.
Gargalos financeiros e de titularidade de terra
Um dos principais entraves para a adoção da agricultura regenerativa em pequenas propriedades é o custo de transição para a recuperação biológica dos solos. O período inicial exige aportes financeiros contínuos antes que a produtividade aumente significativamente. Adicionalmente, a estrutura agrária colombiana sofre com a falta de escritura definitiva de propriedades por parte de muitos camponeses e pecuaristas. Essa situação impede o acesso a crédito em instituições bancárias tradicionais, que exigem garantias reais ou hipotecárias.
Carlos Barragán, diretor de assuntos corporativos e sustentabilidade da Nestlé Colômbia, destacou a necessidade de modelos de finanças mistas e linhas de crédito facilitadas por meio do Finagro e do Banco Agrário. Ele ressaltou que a integração produtiva direta pelo setor privado, com garantia de aquisição da safra e remuneração diferenciada, pode diminuir o risco e viabilizar o financiamento para pequenos produtores.
Cinco eixos para expandir a regeneração nacional
O plano de diretrizes propõe cinco áreas prioritárias de cooperação pública e corporativa:
- Eficiência produtiva e continuidade geracional: Estímulo ao reaproveitamento biológico de nutrientes para aumentar a biomassa por hectare e a segurança hídrica, visando conter o êxodo juvenil do campo.
- Qualidade nutricional e logística: Enriquecimento do padrão alimentar com produtos mais seguros e nutritivos, encurtando elos de intermediação para que a renda adicional permaneça com quem produz.
- Equilíbrio ambiental: Foco na retenção de carbono orgânico no solo e vegetação, diminuição nas emissões de metano da pecuária e recuperação de corredores biológicos e bacias hidrográficas.
- Bem-estar social: Expansão de ocupações rurais especializadas, redução de vulnerabilidades de saúde e fortalecimento de redes comunitárias de pesquisa e inovação local.
- Segurança jurídica no trabalho e garantias fundamentais: Avanços em regimes de seguridade e cobertura previdenciária adaptados aos trabalhadores do campo, considerando a alta informalidade (superior a 83%).
Experiências preliminares em bacias de leite no Vale de Ubaté demonstraram o retorno econômico efetivo, com um aumento na adoção do modelo de 20% para 85% em três anos e um incremento de rendimento de até 20% por área plantada. As diretrizes encaminhadas ao governo visam fixar parâmetros auditáveis para que a sustentabilidade se torne uma ferramenta de ganho técnico, garantia alimentar e competitividade comercial externa, sem onerar as famílias agrícolas.



