Copom: Mercado divide apostas entre corte e manutenção da Selic

Destaques
- •Reunião do Copom nesta semana definirá o futuro da taxa Selic em meio a incertezas fiscais e câmbio volátil.
- •Expectativas do mercado se inverteram após as eleições, com maior probabilidade de manutenção dos juros em 13,75% ao ano.
- •Decisão será influenciada pela avaliação do BC sobre a persistência dos choques inflacionários e a credibilidade da política monetária.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira (3) sua penúltima reunião de 2026, com a decisão sobre a taxa de juros a ser anunciada na quarta-feira (4) como principal pauta econômica da semana. O cenário atual é de grande divisão no mercado, com expectativas que se inverteram após as eleições presidenciais.
Até o dia 23 de outubro, a maioria dos investidores projetava 76% de chance de um corte de juros no encontro de novembro. Contudo, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, as expectativas mudaram drasticamente. Na sexta-feira (30), 72,5% do mercado apostava na manutenção da Selic em 13,75% ao ano, ante 26% que ainda esperavam um corte. Essa virada reflete a crescente incerteza sobre a condução da política fiscal e a pressão sobre o câmbio.
Cenário de Incerteza Pós-Eleitoral
A forte depreciação do real, a abertura da curva de juros e o aumento das incertezas fiscais após as eleições presidenciais criaram um ambiente mais desafiador para o Copom. Analistas apontam que a expectativa de continuidade de uma economia pautada no impulso com gastos públicos, em contraste com a esperança de uma política fiscal mais rígida esperada por alguns investidores, levou a uma forte reprecificação de ativos.
O mercado passou a embutir um prêmio de risco significativo devido ao aumento da percepção de risco fiscal, que deve permanecer até que haja sinalização clara sobre o plano econômico do novo governo. As condições financeiras do país tornaram-se mais restritivas, com a curva de juros precificando uma elevação da Selic antes do fim de 2027 e prêmios de títulos indexados à inflação em alta.
Riscos Inflacionários e Comunicação do BC
A economia vinha apresentando sinais de desaceleração, com inflação, atividade e mercado de trabalho sugerindo menor pressão sobre os preços. O comunicado anterior do Copom previa a inflação em 3,2% no início de 2028 e deixava a porta aberta para o futuro da Selic. No entanto, o aumento das expectativas de inflação e a desvalorização cambial são riscos que podem levar a uma maior alta dos preços.
O BNP Paribas destaca a "precaução em meio à deterioração", com o agravamento dos riscos inflacionários tornando difícil justificar novos cortes de juros. A comunicação do Banco Central após a decisão será crucial para avaliar as condições para uma eventual retomada do ciclo de cortes, ponderando os efeitos contracionistas da deterioração das condições financeiras contra os riscos inflacionários.
Próximos Passos e Expectativas para a Renda Fixa
A decisão do Copom e seu comunicado são aguardados com grande atenção. A manutenção da Selic em 13,75% ao ano é o cenário predominante, mas a possibilidade de um último corte de 0,25 ponto percentual ainda não está descartada. O Banco Central precisará explicar como está incorporando as mudanças no câmbio, nas expectativas de inflação e nas perspectivas fiscais.
Para o investidor, uma pausa na taxa de juros mantém o rendimento das aplicações pós-fixadas, como o Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI, no patamar atual por mais tempo. A renda fixa deve continuar sendo o centro das carteiras, com a Selic média projetada em dois dígitos ao longo do novo mandato presidencial.
Matérias originais
- BC abre decisão sobre juros em meio à mudança das expectativas do mercado · cnnbrasil.com.br
- Corte de 0,25 ponto ou manutenção da Selic? Mercado se divide sobre projeção para decisão do Copom · estadao.com.br
- Copom Deve Pausar Cortes da Selic após Reeleição de Lula e Pressão sobre o Dólar · forbes.com.br
- O que está em jogo na primeira decisão do Copom após a reeleição de Lula · infomoney.com.br



