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STF abre inquérito sobre lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz

24 de outubro de 2026
STF abre inquérito sobre lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz

Destaques

  • •Polícia Federal investiga suposta relação societária e atuação de Willer Tomaz como operador financeiro de Flávio Bolsonaro.
  • •Apuram-se suspeitas de lavagem de dinheiro de até R$ 5 bilhões, com conexões com o mercado de apostas online.
  • •O caso tramita no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, com possibilidade de bloqueio de bens.

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um inquérito para investigar supostas práticas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz. A Polícia Federal (PF) apura a natureza da relação entre os dois, com a possibilidade de Tomaz ter atuado como um operador financeiro do senador. Investigadores consideram essa relação um potencial ponto de desgaste político para Flávio Bolsonaro.

As apurações focam em duas frentes principais. Uma delas investiga suspeitas de lavagem de dinheiro de aproximadamente R$ 5 bilhões, com possíveis conexões com o mercado de apostas online, conhecidas como bets. A PF busca esclarecer a origem e o trajeto desses recursos. A outra frente analisa dados de um celular apreendido, buscando elementos que comprovem uma relação societária entre Tomaz e Bolsonaro, incluindo pagamentos de faturas de cartão de crédito e negócios envolvendo um escritório de advocacia.

Transações atípicas e movimentações financeiras

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram R$ 1,3 milhão em transações atípicas de Flávio Bolsonaro entre janeiro e março de 2024. Esse volume é mais de sete vezes superior ao esperado para a renda informada pelo congressista no período. O Coaf concluiu que o senador movimentou um montante relevante sem respaldo em sua capacidade financeira declarada.

Em março de 2024, o senador recebeu R$ 520.277,28 do escritório Gavioli e Viola Advogados Associados para quitar antecipadamente um financiamento contratado em 2021 junto ao BRB (Banco de Brasília). Esse empréstimo foi utilizado para a compra de um imóvel de R$ 5,97 milhões em Brasília. O Coaf considerou suspeita a destinação do valor recebido para a quitação antecipada de uma operação de crédito que tinha prazo de 30 anos.

O senador informou ao BRB uma renda mensal de R$ 56.800, composta por salário de congressista, rendimentos de uma franquia de chocolates e aplicações financeiras, sem declarar receitas de advocacia na ocasião. Posteriormente, ele declarou à Justiça que também exercia a advocacia e que os recursos para a compra do imóvel tinham origem lícita.

Vínculos e investigações anteriores

O escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu ao menos 62 notas fiscais totalizando R$ 13,7 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026. Um dos principais clientes, o escritório Nilo & Almeida Advogados Associados, pagou R$ 4 milhões ao senador. Metade desse valor foi desembolsada pouco antes de Edvaldo Nilo de Almeida ser aprovado pelo Senado para uma vaga no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A investigação teve origem em apurações da PF sobre suspeitas de lavagem de dinheiro com plataformas de pagamento e empresas de apostas, como a Blaze. O nome de Flávio Bolsonaro surgiu em documentos obtidos nas diligências, levando o caso ao STF. Willer Tomaz foi identificado pelo Ministério da Fazenda como o maior apostador do Brasil em 2025, com movimentação de cerca de R$ 5 bilhões em plataformas de apostas online.

Entre as evidências reunidas pela PF estão registros de viagens internacionais de Flávio Bolsonaro custeadas por empresas ligadas a Willer Tomaz, e documentos que apontam o senador como “usuário master” de uma conta bancária de uma offshore da qual o advogado é sócio. O ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores de Willer Tomaz, que nega irregularidades.

O Coaf também identificou atipicidade em transações de novembro de 2025, quando uma conta de Flávio Bolsonaro movimentou R$ 337.641, classificado como um montante financeiro habitualmente superior à capacidade econômica declarada. Entre os créditos, foi detectada uma transferência oriunda de vaquinha online, cuja finalidade e origem dos recursos não foram esclarecidas.

A equipe de Flávio Bolsonaro não respondeu aos contatos da reportagem para comentar o caso.

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