Eleições: Alckmin repete dobradinha com Lula; Gaspar é vice de Bolsonaro
Destaques
- •Geraldo Alckmin (PSB) e Alfredo Gaspar (PL) são os candidatos a vice nas chapas que disputam o segundo turno presidencial.
- •Alckmin, ex-adversário de Lula, busca manter ponte com o empresariado e o centro político.
- •Gaspar, ex-promotor, foi escolhido por Flávio Bolsonaro após negociações com outros partidos.
- •Acompanhe os desdobramentos da campanha eleitoral e as propostas econômicas de cada chapa.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) foram confirmados como candidatos a vice nas chapas que disputam o segundo turno da eleição presidencial. Alckmin repete a dobradinha com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto Gaspar acompanha o senador Flávio Bolsonaro (PL), que liderou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo apuração do TSE.
As escolhas dos vices seguem lógicas distintas. Lula manteve um aliado com trânsito no empresariado e no centro político, que por duas décadas foi seu adversário. Flávio Bolsonaro, por sua vez, apostou em um ex-promotor do Nordeste, conhecido pela pauta da segurança pública e pela relatoria da CPMI do INSS, após não conseguir o apoio formal de outros partidos.
Trajetória de Geraldo Alckmin
Médico anestesista, Geraldo Alckmin iniciou sua carreira política no MDB, passando pelo PSDB por 33 anos. Foi vereador, deputado estadual e federal, e integrou a Assembleia Nacional Constituinte. Eleito vice-governador de São Paulo em 1994, assumiu o governo em 2001 e foi reeleito em 2002. Comandou o estado por quatro mandatos, tornando-se o governador com mais tempo no cargo desde a redemocratização.
Alckmin disputou a Presidência em 2006 e 2018. Em 2017, acusou Lula de ter "quebrado o Brasil". A reaproximação ocorreu em 2022, quando deixou o PSDB, filiou-se ao PSB e se tornou vice na coligação de Lula. No governo, acumulou a vice-presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), conduzindo a interlocução com a indústria e participando de negociações de acordos internacionais.
Quem é Alfredo Gaspar
Formado em Direito, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto atuou por 24 anos no Ministério Público de Alagoas (MP-AL), onde presidiu grupos de combate ao crime organizado e chefiou a instituição como procurador-geral por dois mandatos. Entrou na política como secretário de Segurança Pública de Alagoas, período em que a queda dos homicídios no estado foi sua principal vitrine.
Em 2020, disputou a prefeitura de Maceió pelo MDB, mas perdeu o segundo turno. Voltou à Secretaria de Segurança e, em 2022, rompeu com os aliados Calheiros, trocou o MDB pelo União Brasil e se alinhou ao eleitorado bolsonarista. Elegeu-se deputado federal e, em março de 2026, migrou para o PL a convite de Flávio Bolsonaro.
A relatoria da CPMI do INSS e acusações
A projeção nacional de Gaspar veio com a relatoria da CPMI do INSS, que investigou descontos irregulares em aposentadorias e pensões. Seu parecer propunha o indiciamento de 216 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A comissão rejeitou o texto, e a base governista acusou o relator de uso político.
Na reta final da CPMI, Gaspar foi acusado de violência sexual pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), e revidou com acusações de corrupção. Um pedido de investigação contra Gaspar foi arquivado pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, em 6 de outubro, por falta de indícios suficientes. Outra representação contra o deputado também foi arquivada pela PGR em agosto.
Flávio Bolsonaro buscava uma mulher para a vaga de vice, mas optou por Gaspar no último dia do prazo para convenções partidárias. Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, ficou na campanha como coordenadora econômica.
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