Açúcar bruto sobe com petróleo e El Niño; café cai com força do real

Destaques
- •Contratos futuros de açúcar bruto na bolsa ICE registraram alta de 0,5% após cinco sessões de queda, impulsionados pela recuperação do petróleo e preocupações climáticas.
- •O café arábica, por outro lado, fechou em queda de 1,6%, influenciado pela valorização do real brasileiro, que desestimula exportações.
- •Investidores monitoram o impacto do El Niño na produção de açúcar no Brasil e na Índia, além da eleição presidencial brasileira e seu potencial efeito sobre o real.
Os contratos futuros de açúcar bruto na bolsa ICE registraram a primeira alta em seis sessões, impulsionados pela recuperação dos preços do petróleo e pela persistência das preocupações climáticas associadas ao El Niño. O contrato de açúcar bruto fechou com alta de 0,11 centavo, ou 0,5%, a 20,24 centavos por libra-peso, após uma sequência de cinco dias de perdas que culminou em uma queda de 1,6% na quinta-feira e de 3% na semana.
A entrada de consumidores e operadores no mercado, aproveitando as recentes quedas, contribuiu para a recuperação. Fatores de alta incluem o excesso de chuvas no Brasil, principal produtor, devido ao El Niño, e o aumento nos preços do petróleo. Este último pode levar as usinas de cana a priorizar a produção de etanol em detrimento do açúcar. Adicionalmente, a Índia, maior consumidor e segundo maior produtor mundial, prorrogou para 31 de dezembro o prazo para importação isenta de impostos de 1 milhão de toneladas métricas de açúcar bruto, dando mais tempo para a entrada da commodity no país, que enfrenta escassez devido a chuvas de monção abaixo do normal.
Açúcar branco e cacau seguem tendências mistas
O açúcar branco também apresentou alta, subindo 0,2% para US$534,80 por tonelada métrica, apesar de ter registrado uma perda semanal de 3,6%. Já o cacau de Londres fechou em alta de 0,3%, a 4.311 libras por tonelada, após uma queda expressiva de 3,9% no dia anterior. O cacau de Nova York ficou praticamente inalterado. Ambos os mercados de cacau registraram uma queda semanal de 1%.
Café em queda com real valorizado e estoques baixos
Em contraste com o açúcar, o café arábica fechou em queda de 5 centavos, ou 1,6%, a US$3,0745 por libra-peso, revertendo parte dos ganhos recentes que o levaram a uma máxima de seis semanas. Apesar da queda diária, o café arábica registrou uma alta semanal de 0,6%. O mercado de café tem sido impulsionado por estoques extremamente baixos nas bolsas e pela força do real brasileiro. A valorização da moeda local desestimula os exportadores do Brasil, principal produtor, a vender café cotado em dólares, pois isso reduz seus retornos em moeda local.
Os estoques de arábica na ICE caíram novamente na sexta-feira, atingindo 227.978 sacas, perto do nível mais baixo em 27 anos. Os operadores estão atentos à eleição presidencial brasileira, que pode consolidar novos ganhos para o real caso o candidato da oposição vença, conforme indicam as pesquisas. O café robusta também sofreu com a tendência de baixa, caindo 1,8% para US$3.242 a tonelada, e registrando uma queda semanal de 5%.


