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Short sellers impulsionam alta de ações da Casas Bahia e MRV

22 de outubro de 2026
Short sellers impulsionam alta de ações da Casas Bahia e MRV

Destaques

  • •Ações de empresas endividadas, como Casas Bahia e MRV, registram fortes altas impulsionadas pela cobertura de posições vendidas por investidores.
  • •O aluguel de ações para apostar na queda de preços atingiu taxas anuais de até 32% para a Casas Bahia, que pediu recuperação judicial.
  • •O movimento de 'short squeeze' pode gerar valorizações artificiais que tendem a ser revertidas no médio prazo.

Ações de empresas com alto endividamento, como Casas Bahia e MRV, têm apresentado fortes elevações na bolsa brasileira. O movimento é atribuído à estratégia de investidores conhecidos como short sellers, que apostam na queda dos preços dos ativos e, diante de uma alta inesperada, precisam recomprar as ações para limitar seus prejuízos. Essa corrida pela compra, conhecida como cobertura de posições vendidas, pode impulsionar artificialmente as cotações.

A expectativa de um futuro ajuste fiscal, que poderia levar a juros menores em 2027, tem mudado o cenário para empresas com dívidas elevadas. Após o primeiro turno das eleições, companhias como Azzas (AZZA3), Casas Bahia (BHIA3) e MRV (MRV3) viram suas ações subirem significativamente. No dia 19 de outubro, por exemplo, AZZA3 avançou 13,25%, MRV3 subiu 10,94% e BHIA3 registrou alta de 4,39%.

O que é e como funciona o short selling

O short selling, ou venda a descoberto, é uma estratégia de investimento que visa lucrar com a queda de preços de um ativo. O investidor aluga as ações de quem as possui e as vende no mercado, com a expectativa de recomprá-las futuramente a um preço menor. A diferença entre o preço de venda e o de recompra constitui o lucro. Caso o preço da ação suba, o vendedor a descoberto sofre prejuízos.

Para montar essa posição, o investidor paga uma taxa anual pelo aluguel do ativo. Essa taxa pode se tornar elevada quando há escassez de ações disponíveis para empréstimo e alta demanda por parte dos vendedores a descoberto. A B3 exige garantias dos investidores para mitigar riscos, e em caso de alta expressiva, pode haver a necessidade de depositar mais garantias ou zerar a posição.

Recuperação judicial eleva custo do aluguel

Empresas em recuperação judicial ou extrajudicial frequentemente apresentam custos de aluguel de ações mais altos. A Casas Bahia, que pediu recuperação judicial em agosto com R$ 17,3 bilhões em dívidas, lidera o ranking de ações mais alugadas, com cerca de 33,4% do seu free float (ações em circulação) emprestado. A taxa de aluguel chegou a 32% ao ano, refletindo a alta demanda e a escassez de papéis.

A varejista teve uma valorização de 185% entre 28 de agosto e 16 de outubro, passando de R$ 0,40 para R$ 1,14. A MRV também apresentou alta de 47,7% em outubro, com uma redução no custo do aluguel de ações, indicando que investidores vendidos podem ter iniciado a recompra dos papéis.

Short squeeze e o futuro das ações

Quando um grande número de investidores que apostaram na queda de uma ação precisa comprar o ativo simultaneamente para cobrir suas posições, ocorre o fenômeno conhecido como short squeeze. Essa onda de compras pode impulsionar os preços de forma acentuada, mas essa valorização é considerada artificial e tende a ser revertida nas semanas seguintes, à medida que a pressão de compra diminui.

No caso da Azzas, a estratégia vendida tem origem em um conflito entre os principais sócios, que planejam a cisão da companhia em duas empresas independentes até o primeiro trimestre de 2027. A Braskem também figura entre as ações com aluguel caro, com taxa de 24% ao ano, refletindo a desconfiança de investidores diante de problemas que levaram a companhia a pedir recuperação extrajudicial.

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