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Temporada de balanços do 3º trimestre começa com foco em bancos e eleições

22 de outubro de 2026
Temporada de balanços do 3º trimestre começa com foco em bancos e eleições

Destaques

  • •A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 se inicia com a divulgação de resultados de grandes bancos, com destaque para Bradesco e Itaú.
  • •O mercado reage com cautela à proximidade do segundo turno das eleições presidenciais, com pesquisas eleitorais acirradas impactando o Ibovespa.
  • •Analistas apontam a qualidade do crédito, custo da dívida e o cenário fiscal como pontos de atenção para investidores nos próximos resultados.

A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 se inicia nesta quinta-feira (22), com a divulgação dos resultados do Bradesco (BBDC4) após o fechamento do mercado. A expectativa é de que os resultados dos grandes bancos apresentem poucas variações em relação aos trimestres anteriores, mas com atenção especial para a qualidade do crédito e o custo da dívida.

Analistas como Pedro Galdi, da AGF, e Uitan Maciel, da TCM Capital, preveem lucros consistentes para instituições como Itaú Unibanco (ITUB4), que deve se destacar, e Banco do Brasil (BBAS3), Santander Brasil (SANB11) e BTG Pactual (BPAC11). No entanto, a linha de provisões para devedores duvidosos pode trazer surpresas, especialmente com o aumento de empresas em recuperação judicial e a recuperação extrajudicial das Casas Bahia, que pode afetar provisões de Banco do Brasil e Bradesco.

Foco nos Bancos e Setores Específicos

Para os bancos, a expectativa geral é de margens financeiras e receitas de serviços estáveis. O Itaú Unibanco é apontado como o destaque, com projeção de lucro de R$ 12,7 bilhões e ROI de 23%. O Bradesco deve apresentar lucro líquido de R$ 7,1 bilhões e ROE de 15%. O Banco do Brasil tem expectativa de lucro de R$ 4 bilhões, enquanto o Santander Brasil deve registrar R$ 3,1 bilhões. O BTG Pactual tem projeção de lucro de R$ 5,3 bilhões.

Em energia elétrica, espera-se crescimento de faturamento e Ebitda, impulsionado pela demanda, mas com atenção às despesas financeiras devido a investimentos. No saneamento, as metas de abastecimento de água avançam, mas a expansão do esgoto ainda demanda etapas, com potencial aumento de endividamento para Copasa (CSMG3), Sanepar (SAPR11) e Sabesp (SBSP3).

Seguradoras podem ter a contratação de prêmios limitada pela crise no agronegócio e juros altos, mas a manutenção das taxas favorece resultados de tesouraria. Em telecomunicações, Vivo e TIM (TIMS3) devem continuar a crescer receitas, com uso de inteligência artificial para redução de custos.

Mercado Reage à Eleição e Cenário Externo

O Ibovespa operou em queda nesta quinta-feira (22), influenciado pela aversão ao risco no exterior e pela indefinição eleitoral no Brasil. A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã impulsionou o petróleo, mas o mercado doméstico se volta para a disputa presidencial acirrada no segundo turno.

Pesquisas eleitorais, como as da Datafolha, Indexa/Broadcast e PoderData/Aya, mostram um cenário de empate técnico entre os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa disputa apertada aumenta a cautela dos investidores, que buscam clareza sobre o futuro rumo fiscal do país. A falta de planos fiscais concretos dos candidatos também contribui para o ambiente parcimonioso.

A queda do Ibovespa reflete a ansiedade doméstica somada à pressão externa, com recuos em bolsas como Wall Street após balanços de empresas como Meta e Tesla. A desvalorização de commodities como o minério de ferro também pressionou ações de empresas como Vale (VALE3), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5).

Próximos Passos e Recomendações

A temporada de balanços se estenderá por novembro, com diversas empresas importantes divulgando seus resultados, incluindo Ambev (ABEV3), Vale (VALE3), Petrobras (PETR4), Magazine Luiza (MGLU3) e B3 (B3SA3). O BTG Pactual avalia que a bolsa brasileira ainda tem espaço para avançar, com ações negociando abaixo das médias históricas de valuation e exposição reduzida de investidores locais e estrangeiros. O banco recomenda ETFs como IBOB11 e BZEQ11 para capturar essa potencial valorização.

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