Shoppings: Gestor do VISC11 detalha riscos e incertezas do setor

Destaques
- •Gestor do VISC11 aponta desaceleração de vendas e custos como principais ameaças ao setor de shoppings.
- •Queda de 3,9% nas vendas do varejo em setembro de 2026 e taxa de vacância próxima a 2% são pontos de atenção.
- •Reforma tributária e mudanças na jornada de trabalho podem impactar custos e rentabilidade dos lojistas.
O mercado de shopping centers enfrenta um cenário de incertezas que podem impactar o desempenho dos empreendimentos, segundo Rafael Teixeira, gestor do fundo imobiliário VISC11 (Vinci Shopping Centers). A desaceleração das vendas dos lojistas, mudanças nas relações de trabalho e a reforma tributária são os principais pontos de atenção, com potencial para afetar a saúde financeira dos comerciantes e, consequentemente, a ocupação e os resultados dos fundos imobiliários do setor.
Em entrevista ao programa Liga de FIIs, do InfoMoney, Teixeira destacou que as vendas são um indicador crucial para a sustentabilidade das operações. Uma queda no faturamento dificulta o pagamento de despesas pelos lojistas, comprometendo suas margens. O Índice Cielo do Varejo Ampliado registrou uma queda de 3,9% nas vendas no varejo nacional em setembro de 2026, comparado ao mesmo período de 2025. "É preciso que a venda aconteça para que o lojista não aumente muito o custo de ocupação", afirmou o gestor.
Pressões sobre lojistas e ocupação
Uma deterioração prolongada nas vendas pode levar ao aumento da inadimplência, à renegociação de aluguéis e, eventualmente, à desocupação de lojas. O cenário atual também reflete o efeito de uma política monetária restritiva, com juros elevados encarecendo o crédito e reduzindo o poder de consumo das famílias. Apesar disso, a taxa de vacância do portfólio do VISC11 permanece controlada, próxima a 2%, com uma taxa de ocupação de 93,9%. Teixeira considera a recente redução na ocupação como pontual, esperando melhora com a reposição de lojistas e a requalificação do portfólio.
A sazonalidade, especialmente após o período de Natal, também pode elevar temporariamente a vacância no início do ano, com lojistas em dificuldades encerrando operações. O fechamento de unidades das Casas Bahia (BHIA3) impactou alguns shoppings do portfólio, mas o efeito foi limitado pela pulverização das receitas dos empreendimentos. A saída de um lojista pode gerar perda de receita no curto prazo e aumento da vacância, mas também abre espaço para redesenho de áreas e operações menores, com potencial de melhorar a rentabilidade futura.
Reforma tributária e jornada de trabalho em xeque
A reforma tributária representa outra fonte de incerteza, com efeitos que variarão conforme o regime tributário, segmento de atuação e capacidade de aproveitamento de créditos de cada empresa. A tributação sobre aluguéis pode ter impacto neutro ou ligeiramente positivo para algumas operações, enquanto outras despesas, como as de estacionamento, podem sofrer efeitos distintos. Lojistas enquadrados no Simples Nacional podem enfrentar maior pressão sobre o custo de ocupação.
A eventual mudança na jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1, também está no radar. Teixeira avalia que essa alteração pode elevar os custos operacionais de alguns lojistas, caso necessitem contratar mais funcionários para manter os horários de funcionamento. "Se ele tiver que, por exemplo, contratar mais pessoas para cumprir o horário, isso aumenta o custo pessoal dele e, eventualmente, pode reduzir, apertar a margem", explicou. O impacto econômico dependerá da capacidade de cada empresa de absorver ou repassar os custos adicionais, podendo resultar em preços mais altos ou comprometer a rentabilidade.
O gestor ponderou que a mudança na jornada de trabalho também envolve benefícios sociais para os trabalhadores. O impacto econômico real só poderá ser avaliado com a definição e implementação das novas regras. "Vamos ter que esperar a implementação para ver na prática como é que isso vai se comportar", concluiu.



