Governadores eleitos controlarão estatais de energia e saneamento

Destaques
- •Eleitos em três estados, novos governadores assumem controle de Cemig, Sanepar e Banrisul em 2027.
- •Mercado avalia impacto de promessas de campanha sobre subsídios e tarifas nas distribuições de dividendos.
- •Acompanhar indicações de gestão, propostas orçamentárias e decisões sobre tarifas e dividendos.
As eleições estaduais definiram os novos governadores de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, que assumirão em 2027 o controle de importantes companhias de capital aberto: Cemig (CMIG4), Sanepar (SAPR11) e Banrisul (BRSR6). A expectativa do mercado agora se volta para as políticas que esses novos gestores implementarão, especialmente em relação a subsídios de tarifas e dividendos, uma vez que a privatização dessas estatais já não é o foco principal.
Especialistas apontam que o mercado já precificou parte do resultado eleitoral, mas a política efetiva de cada governo para suas estatais ainda está em formação. A alta das ações da Cemig após o primeiro turno, por exemplo, foi vista mais como um reflexo do movimento geral da Bolsa do que uma reprecificação ligada ao novo governador. No entanto, a fala do eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) contra a privatização da Cemig e a defesa de subsídios na conta de luz geram atenção sobre o futuro dos dividendos.
Cemig: subsídios e dividendos sob escrutínio
Cleitinho Azevedo já descartou a privatização da Cemig e defende o uso de recursos da companhia para subsidiar a conta de luz. Especialistas apontam três caminhos para isso: a redução do ICMS sobre a energia (custo para o estado), o uso de dividendos que o estado recebe (impacto limitado para o minoritário) ou a utilização de recursos próprios da empresa, o que afetaria diretamente o dividendo do acionista minoritário. A Cemig distribuiu cerca de 72% do lucro de 2025 em proventos, e a faixa entre o piso estatutário de 50% e a prática atual pode ser afetada por decisões do controlador.
A gestão da Cemig também é um ponto de atenção, com trocas recentes na presidência executiva e no conselho de administração. A estabilidade da gestão é vista como crucial para a companhia.
Sanepar: tarifa e "choque de gestão" em debate
No Paraná, Sergio Moro (PL) criticou os reajustes de tarifa da Sanepar e defendeu um "choque de gestão". A tarifa é considerada o fator que mais pesa sobre o dividendo no curto prazo. A Sanepar é regulada por uma agência estadual, a Agepar, cujos diretores são indicados pelo governador. Embora o governador não possa demitir diretores antes do fim do mandato, ele influencia os reajustes pelo controle da própria Sanepar.
Decisões regulatórias recentes, como a destinação de um precatório bilionário para desconto na tarifa, já impactaram a atratividade da ação como renda. Com investimentos previstos de R$ 13 bilhões entre 2026 e 2030 e uma política de dividendos que admite distribuir de 25% a 50% do lucro, mas trabalha com payout de cerca de 30%, o dividend yield estimado para 2027 fica entre 3% e 5%, tirando a empresa do grupo das mais atrativas do setor.
Banrisul: manutenção do controle estatal e riscos regulatórios
No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) sinalizou a manutenção do controle estatal do Banrisul, rejeitando a privatização. A venda de ações sem perda de controle é possível, mas não há sinalização nesse sentido. O principal risco apontado pelos especialistas não é a privatização, mas a pressão do controlador por um payout alto, à custa do capital.
Esse risco é limitado pela regulação bancária do Banco Central, que restringe a distribuição de lucros quando o capital fica abaixo dos adicionais exigidos. O pagamento de R$ 1,23 bilhão pela renovação do contrato da folha de pagamento estadual impactou o capital principal do banco, que, embora ainda acima dos mínimos regulatórios, tem menos folga. A manutenção do ritmo de proventos dependerá da recuperação do lucro, que caiu 13,8% no segundo trimestre.
Em termos de exposição ao risco de interferência política nos dividendos, Cemig é vista como a mais exposta, seguida pela Sanepar. O Banrisul é considerado o menos exposto devido às regras de capital mínimo bancário, embora continue sujeito a riscos de crédito e inadimplência.
Os especialistas indicam que os investidores devem acompanhar a nomeação dos presidentes e conselhos das empresas, a proposta orçamentária de cada estado para 2027, possíveis mudanças em estatutos ou políticas de dividendos, e o formato de financiamento de subsídios em Minas Gerais. O cenário macroeconômico, como a trajetória dos juros e a política fiscal, também influenciará o custo de capital das companhias e o valor de suas ações.



