Samarco aposta em pelotas de ferro para superar queda do minério

Destaques
- •Samarco investirá R$ 13,8 bilhões até 2031 para atingir capacidade máxima em 2028, buscando lucro.
- •Pelotas de ferro ganham valor com restrição de oferta no Oriente Médio e demanda por descarbonização.
- •Empresa espera retomar lucratividade em 2028 e vê oportunidades na Índia, EUA e transição energética global.
A Samarco planeja investir R$ 13,8 bilhões até 2031 para retomar sua capacidade máxima de produção, esperada para março de 2028. A estratégia da empresa foca na produção de pelotas de ferro, um produto que pode reduzir em até 70% as emissões de carbono na fabricação de aço, apostando na descarbonização para sustentar a demanda em um cenário de preços mais baixos para o minério de ferro. A companhia projeta passar do prejuízo ao lucro no mesmo ano em que atingir a capacidade total.
Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o presidente da Samarco, Rodrigo Vilela, detalhou o plano de retomada. Ele explicou que a empresa está em um ciclo de alta volatilidade no mercado de minério de ferro, com aumento de custos de frete devido à guerra no Oriente Médio e queda na demanda, especialmente na China. Essa conjuntura pressiona as mineradoras, com algumas já paralisando operações no Brasil por estarem no limite de custo.
Pelotas de ferro: um diferencial estratégico
Apesar da queda geral do minério, o mercado de pelotas de ferro apresenta um comportamento diferenciado. O prêmio das pelotas está aumentando devido à restrição de oferta causada pela guerra no Oriente Médio, o que compensa parte da queda no preço do minério e do aumento do frete. A Samarco se beneficia dessa dinâmica, pois suas pelotas são uma opção para clientes que buscam reduzir a pegada de carbono na produção de aço. A transição energética e a legislação ambiental impulsionam a demanda por esse tipo de produto.
Vilela destacou que os estudos de mercado da empresa apontam para um crescimento sustentado da demanda por pelotas, impulsionado por projetos de descarbonização globais. A Samarco se posiciona para garantir essa oferta, com projeções de demanda crescente, especialmente a partir de 2029 e 2030, quando toda a sua cadeia produtiva estará operando a 100%.
Investimentos e retomada da produção
Os investimentos de R$ 13,8 bilhões até 2031 serão financiados com recursos próprios da Samarco, com possibilidade de captação futura. A empresa pretende atingir a capacidade máxima de 25,26 milhões de toneladas de finos e pelotas em março de 2028. Para alcançar esse objetivo, cerca de 4 mil pessoas serão contratadas em 2027, entre diretos e terceirizados.
A companhia espera encerrar 2026 dentro do cronograma e orçamento previstos. O ano de 2027 será de grande intensidade de capital e investimento social, com foco em pessoal. A virada para o lucro sustentável está projetada para 2028, quando a empresa espera operar com uma relação de lucro mais sólida.
Mercados e cenário político
A Samarco vê oportunidades de mercado na Índia e nos Estados Unidos, onde a política de fortalecimento da indústria de base sob a gestão de Donald Trump favorece as pelotas brasileiras. A distância geográfica torna o Brasil mais competitivo que a China para os americanos. A empresa também aguarda que mudanças na legislação e a redução dos juros no Brasil possam trazer maior previsibilidade e sustentação de custo para a operação interna, embora o produto seja majoritariamente exportado e dependa mais da economia global.
Vilela mencionou que a empresa se prepara para qualquer cenário eleitoral, mas ressalta que a queda dos juros é fundamental para a atividade comercial. A depressão de preços do minério, esperada e já em curso, deve se prolongar, mas a China tem capacidade de implementar incentivos rápidos. O foco de crescimento da demanda está na Índia e em mercados emergentes, além do aumento do consumo americano.
Reparação e riscos jurídicos
O presidente da Samarco também comentou sobre o Novo Acordo do Rio Doce, dois anos após sua assinatura. Ele destacou a despressurização dos litígios, trazendo maior previsibilidade financeira e jurídica. O acordo reorganizou obrigações de fazer e pagar, resultando em melhores provisões para Vale, BHP e Samarco, e uma redução drástica nos riscos jurídicos. Cerca de 48% do valor total do acordo já foi investido, com entregas concretas em indenizações, obras e obrigações governamentais, como a construção de hospitais e redes de saneamento.



