Eleição 2026: Lula e Bolsonaro divergem em ajuste fiscal e impacto nas contas públicas

Destaques
- •Candidatos à Presidência divergem em propostas de ajuste fiscal, com Lula defendendo um plano gradual e Bolsonaro prometendo um "tesouraço" nos gastos.
- •Analistas e consultorias alertam que ambas as propostas podem não ser suficientes para estabilizar a dívida pública brasileira, que pode atingir 100% do PIB em 2029.
- •Mercado financeiro reage com cautela à indefinição eleitoral, com investidores buscando proteção e aguardando clareza sobre a política fiscal do futuro governo.
A disputa eleitoral presidencial de 2026 coloca em lados opostos as propostas de ajuste fiscal para as contas públicas do Brasil. O atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende um plano mais gradual, com o objetivo de conter o endividamento público sem "dar cavalo de pau" ou "fazer loucuras" na economia. Por outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) promete um ajuste mais rápido, caracterizado por um "tesouraço" nos gastos, equilíbrio fiscal, reforma do Estado, combate à corrupção e menos impostos.
Divergência nas propostas de ajuste fiscal
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o programa de Lula contempla um ajuste gradual, da ordem de dois pontos do Produto Interno Bruto (PIB), entre 2027 e 2030. Ele considera impossível um ajuste de R$ 200 bilhões em um ano, como sugerido pela oposição. A estratégia petista visa apresentar superávit em 2027, com o resultado das contas públicas passando de um déficit primário de cerca de 0,4% do PIB em 2026 para um superávit de 1,6% do PIB em 2030, caso implementada.
Em contrapartida, o programa de governo de Flávio Bolsonaro, intitulado "Brasil que Não Volta Atrás", propõe um "tesouraço" nos gastos públicos, equilíbrio fiscal, reforma do Estado, combate à corrupção e menos impostos. A campanha de Bolsonaro alega que tudo o que foi prometido tem lastro.
Alerta sobre a dívida pública e a insuficiência das propostas
Analistas e consultorias expressam preocupação com a trajetória das contas públicas e a sustentabilidade da dívida. A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, aponta que seria necessário um superávit primário anual de 2,1% do PIB apenas para estabilizar a dívida pública. A Tendências Consultoria projeta que a dívida pública brasileira pode atingir 100% do PIB em 2029 caso o próximo governo não implemente um ajuste fiscal suficiente.
A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências, avalia que as propostas de ambos os candidatos ainda não oferecem respostas suficientes para estabilizar a dívida, especialmente devido ao crescimento das despesas obrigatórias, como as vinculadas ao salário mínimo, Previdência, benefícios sociais e pisos de saúde e educação. Ela ressalta que um superávit primário de aproximadamente 2,5% do PIB seria necessário para estabilizar a dívida, e que a consultoria considera difícil interromper o crescimento da dívida no curto prazo.
Mercado financeiro em compasso de espera
A indefinição eleitoral e a divergência nas propostas fiscais geram cautela no mercado financeiro. Estrategistas de Wall Street, que inicialmente recomendaram a compra de ativos brasileiros após a ascensão de Bolsonaro no primeiro turno, agora observam um cenário de resultado indefinido e vulnerável a reversões. A disputa está praticamente empatada, com Lula prometendo gastar mais e Bolsonaro oferecendo poucos detalhes sobre a reforma fiscal.
Investidores estrangeiros injetaram cerca de R$ 20 bilhões em ações locais em um mês, impulsionados pela expectativa de reformas. No entanto, a corrida acirrada, com pesquisas mostrando empate técnico, aumenta a volatilidade. O Ibovespa superou 200 mil pontos e o dólar rondou R$ 5,00 após o primeiro turno, mas a cautela prevalece. Uma vitória de Bolsonaro poderia fortalecer o real, enquanto uma de Lula poderia levar a uma desvalorização da moeda, com ambos os cenários dependendo da clareza sobre a política fiscal.
Matérias originais
- Ministro da Fazenda fala em ajuste das contas públicas sem 'dar cavalo de pau' ou 'fazer loucuras'; Flávio tem prometido 'tesouraço' · g1.globo.com
- “Rali Flávio” nos mercados enfrenta teste de fogo com Brasil indo às urnas · infomoney.com.br
- Dívida de 100% do PIB: o risco fiscal que espera Lula ou Flávio em 2027 · infomoney.com.br
- Brasil não escapa da correção de ativos (vença Flávio Bolsonaro ou Lula) · neofeed.com.br



