São Paulo se destaca em ranking global de custos para data centers

Destaques
- •São Paulo figura na 30ª posição em um ranking global de custos de construção de data centers, apresentando um custo por watt de US$ 11,66.
- •O estudo da Turner & Townsend aponta o Brasil como um polo competitivo na América do Sul, impulsionado pela matriz energética diversificada e a crescente demanda por IA.
- •Apesar da atratividade, o setor enfrenta desafios como a disponibilidade de energia e a escassez de mão de obra qualificada para atender à expansão da inteligência artificial.
A cidade de São Paulo se destaca como um polo competitivo para a construção de data centers, ocupando a 30ª posição em um ranking global elaborado pela Turner & Townsend, empresa especializada em gestão de projetos. Com um custo por watt de construção de US$ 11,66 (aproximadamente R$ 62,12), a capital paulista se mostra mais vantajosa em comparação com regiões consolidadas como o Vale do Silício, nos Estados Unidos, onde o custo é de US$ 15,01 por watt.
O relatório, que compara os custos de construção de data centers em diversas localidades ao redor do mundo, indica que o Rio de Janeiro também apresenta um custo competitivo, embora ligeiramente superior a São Paulo, com US$ 12,59 por watt (cerca de R$ 67,05). Essa posição reforça o Brasil como um importante polo de infraestrutura de data centers na América do Sul.
O Brasil como polo de infraestrutura digital
Segundo Henrique Cicchetto, diretor de Real Estate da Turner & Townsend no Brasil, a posição do país no índice global é impulsionada por uma matriz energética diversificada, a crescente demanda por capacidade de computação em nuvem e a expansão da inteligência artificial. Esses fatores tornam o Brasil atrativo para grandes investidores e empresas globais de hiperescala, conhecidas como hyperscalers.
O indicador "custo por watt" (US$/W) utilizado no relatório refere-se ao custo médio de construção da infraestrutura necessária para cada watt de capacidade elétrica de um data center. É importante notar que este valor não se relaciona ao custo da eletricidade consumida pela operação, mas sim ao investimento inicial na construção da instalação.
Desafios para a expansão da IA
O relatório da Turner & Townsend também aponta para os desafios que o setor de data centers enfrenta, especialmente com o avanço da inteligência artificial. Cerca de 52% dos especialistas preveem que, até o próximo ano, a maioria dos projetos de data centers no mundo será destinada a cargas de trabalho de IA.
Um dos principais gargalos identificados é a disponibilidade de energia, considerada um obstáculo crítico por 56% dos especialistas. Além disso, os processos de aprovação e as conexões à rede elétrica podem levar de um a dois anos, ou até mais de 24 meses, segundo 52% e 32% dos entrevistados, respectivamente.
Outro ponto de atenção é a disponibilidade de profissionais qualificados, com 81% dos entrevistados relatando restrições moderadas ou graves nesse quesito.
Perspectivas para a América Latina
Lloyd Wallace, diretor de Real Estate e Data Centers para a América Latina da Turner & Townsend, destaca que a região atravessa um momento decisivo em sua infraestrutura digital. O grande volume de capital destinado ao desenvolvimento de data centers em mercados como Brasil, México e Chile demonstra o potencial da região.
No entanto, Wallace ressalta que a ampliação da capacidade operacional para atender à expansão da inteligência artificial exige a superação de gargalos importantes. Entre eles, estão a viabilidade do fornecimento de energia elétrica, a eficiência no uso da água e a disponibilidade de mão de obra especializada.



