Ruiz Coffees: Recuperação judicial afeta R$ 193 milhões em CRAs de fundos de agronegócio

Destaques
- •A recuperação judicial da Ruiz Coffees impacta R$ 193 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) detidos por fundos de investimento do agronegócio (Fiagros).
- •Fundos como Suno Agro (SNAG11), Vectis Datagro (VCRA11) e Galápagos Agro (GCRA11) terão suas garantias de CRAs convertidas em participação em um novo Fiagro de terras, que alugará de volta a produção para o Grupo Ruiz.
- •A reestruturação visa proteger os investidores com a migração dos créditos para um veículo proprietário das terras, com o Grupo Ruiz assumindo cotas subordinadas que absorvem perdas iniciais.
A Ruiz Coffees, segunda maior produtora brasileira de café, entrou com pedido de recuperação judicial, afetando diretamente cerca de R$ 193 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Esses títulos, emitidos para financiar a expansão agrícola da empresa em Minas Gerais e Bahia, são detidos por fundos de investimento do agronegócio (Fiagros). A paralisação no pagamento das dívidas gerou pressões no fluxo de caixa e na distribuição de rendimentos desses fundos, listados na B3.
O impacto atinge fundos com alocação direta no produtor, como o Suno Agro (SNAG11), Vectis Datagro (VCRA11) e Galápagos Agro (GCRA11). O Grupo Ruiz já havia obtido uma tutela cautelar em junho, permitindo a suspensão do pagamento de dívidas por 60 dias enquanto negociava com credores e preparava seu plano de recuperação. O pedido formal de recuperação judicial foi protocolado em 8 de outubro.
Garantias e reestruturação dos fundos
Para os Fiagros, os impactos são considerados de curto prazo, pois os CRAs possuem como garantia a alienação fiduciária de fazendas do grupo. Créditos sob essa modalidade são extraconcursais, o que significa que ficam fora da proteção da recuperação judicial. Na prática, os Fiagros se tornarão proprietários das terras em garantia.
A Suno já comunicou aos cotistas a reestruturação do CRA Ruiz. Haverá uma migração do CRA para um novo Fiagro de terras, gerido pela Buri Asset Management. Este novo fundo será o proprietário das fazendas, que serão alugadas de volta para o Grupo Ruiz, permitindo que a empresa mantenha a produção de café.
O Grupo Ruiz ficará com as cotas subordinadas do veículo, que absorvem as primeiras perdas em caso de inadimplência. O SNAG11 passará a ser cotista do novo Fiagro por meio de cotas sêniores. Segundo a gestora, os créditos agora são lastreados diretamente por um veículo proprietário das terras, com a subordinação do Grupo Ruiz atuando como colchão de proteção.
Adesão dos demais fundos e garantias físicas
O VCRA11 também aderirá ao mesmo sistema, com as garantias físicas migrando para o Fiagro de terras e o fundo passando a ter participação na nova estrutura. A Galápagos informou que, desde o pedido de tutela, negociava com a companhia. A gestora ressaltou que já estava em tratativas com o devedor antes do protocolo do pedido para reestruturar as operações.
Conforme a Galápagos, o Fiagro deterá a titularidade de parte das terras que garantem os CRAs. As garantias físicas detidas pelos Fiagros somam aproximadamente 2,6 mil hectares, de um total de 7,5 mil hectares pertencentes ao Grupo Ruiz.
Matérias originais
- Fundos com CRAs da Ruiz Coffees vão assumir fazendas da produtora · investnews.com.br



