Renda Fixa: Entenda por que títulos podem ter perdas antes do vencimento

Destaques
- •Preços de títulos de renda fixa podem oscilar devido à marcação a mercado, mesmo com taxa de retorno pré-fixada.
- •Quedas no preço não significam perda definitiva se o investidor mantiver o título até o vencimento e o emissor cumprir as obrigações.
- •Especialistas da XP e Faz Capital discutem riscos como crédito e liquidez, e oportunidades futuras em renda fixa.
Investidores de renda fixa podem se deparar com perdas em seus portfólios, mesmo que a remuneração do título seja conhecida previamente. Isso ocorre devido à dinâmica de mercado, onde os preços dos papéis podem variar, especialmente em resposta a alterações nas taxas de juros. O tema foi abordado por Mayara Rodrigues, analista de Credit Research de Renda Fixa da XP, durante o evento Conexão Investidor 2026, realizado em São Paulo.
O evento, promovido pela Faz Capital, um escritório de assessoria de investimentos credenciado à XP, reúne especialistas para debater economia, investimentos e planejamento patrimonial. A programação, que inclui discussões online e gratuitas, segue até sexta-feira (23).
Renda Fixa: O que é 'fixo' de verdade?
No painel "Renda fixa é fixa de verdade?", Mayara Rodrigues explicou a diferença entre a taxa de retorno contratada e o valor de negociação de um título antes de seu vencimento. "Fixo, na verdade, é a taxa de retorno, basicamente, que você contratou para esse tipo de investimento. Não necessariamente o preço", disse a analista.
A oscilação de preços, conhecida como marcação a mercado, pode gerar ganhos ou perdas para quem vende um título antecipadamente. No entanto, uma queda no preço de mercado não implica uma perda definitiva se o investidor mantiver o investimento até o vencimento, desde que o emissor honre suas obrigações financeiras.
"Não significa que se você viu um determinado dia o preço ali para baixo, que aquele crédito, aquele título que você comprou, está apresentando algum problema", ressaltou Mayara, buscando tranquilizar investidores que observam flutuações negativas.
Outros riscos a considerar
Além da marcação a mercado, Mayara Rodrigues destacou o risco de crédito, que se refere à possibilidade de o emissor não cumprir suas obrigações financeiras. Este risco é particularmente relevante em produtos como debêntures emitidas por empresas, que não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A liquidez é outro fator crucial. Ela se refere à facilidade de negociar o investimento antes do vencimento. Dependendo das condições de mercado e das características específicas do título, a venda antecipada pode resultar em um valor inferior ao esperado pelo investidor.
Perspectivas para a Renda Fixa
Apesar das flutuações e riscos, a especialista da XP mantém uma visão positiva sobre as oportunidades futuras na renda fixa. Mesmo com a perspectiva de redução das taxas de juros, a XP projeta que a taxa Selic terminará 2027 em 11,5% ao ano, um patamar que Mayara considera ainda atrativo.
Para investidores iniciantes com perfil conservador, a XP recomenda, em certas situações, alocar entre 90% e até 100% do patrimônio em renda fixa. A diversificação entre diferentes indexadores e prazos de vencimento é apontada como essencial.
A especialista também comparou a rentabilidade da poupança com outras opções de renda fixa. Uma aplicação de R$ 10 mil na poupança renderia cerca de R$ 350 a menos no primeiro ano em comparação com o Tesouro Selic ou um CDB que pague 100% do CDI, considerando o Imposto de Renda. Essa estimativa foi baseada em uma Selic de 13,75% ao ano.
O evento Conexão Investidor 2026 também abordou temas como macroeconomia, o novo governo, planejamento tributário e sucessório de patrimônios no exterior, e o mercado de criptomoedas.
Matérias originais
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