Operações federais contra imigrantes paralisam obras e elevam custos nos EUA

Destaques
- •Aumento de operações federais contra imigrantes nos EUA causa escassez de mão de obra na construção civil.
- •Custo da mão de obra para erguer estruturas de casas saltou de US$ 10 mil para até US$ 28 mil em imóveis de tamanho médio.
- •Acompanhar o impacto na inflação do setor e possíveis mudanças na política migratória.
A intensificação das operações federais contra imigrantes nos Estados Unidos durante o verão americano está gerando um impacto significativo no mercado imobiliário, com a elevação dos custos da mão de obra e a paralisação de projetos de construção. Segundo pesquisa da John Burns Research & Consulting, quase dois terços das construtoras relataram que a fiscalização migratória afetou sua força de trabalho, um aumento expressivo em relação aos 23% de março e 13% do ano anterior.
“Estamos praticamente parados porque nossa força de trabalho desapareceu”, afirmou Scott Brannock, presidente da Tidewater Homes e da Associação de Construtores do Nordeste da Flórida. Ele detalhou que grandes construtoras nacionais estão com dificuldades para atingir suas projeções, acumulando perdas financeiras consideráveis devido à falta de trabalhadores para erguer as estruturas das casas, mesmo com os materiais prontos.
Escassez e aumento de custos
Uma pesquisa da Associação Nacional de Construtores de Casas (NAHB) indicou que o custo da mão de obra na construção civil aumentou, em média, 4,2% em relação ao ano anterior. Essa escassez ocorre em um momento em que o país busca reduzir os altos custos de moradia, que dificultam o acesso à casa própria para milhões de americanos e mantêm as vendas estagnadas.
As operações migratórias têm afetado principalmente profissionais de áreas como instalação de telhados, pintura e montagem de estruturas de madeira. Ao mesmo tempo, a construção de centros de dados em algumas regiões tem atraído trabalhadores especializados, como técnicos de HVAC e eletricistas, com salários elevados que as construtoras de casas não conseguem igualar.
Argumentos e impacto prático
Defensores do endurecimento da fiscalização migratória argumentam que as deportações podem reduzir os custos da habitação ao diminuir a concorrência por imóveis, defendendo que as construtoras deveriam priorizar a contratação de cidadãos americanos. “É um argumento absurdo dizer que devemos parar de deportar pessoas que violam as leis de imigração simplesmente porque empresas de construção querem empregá-las”, disse Matthew O’Brien, vice-diretor executivo da Federation for American Immigration Reform.
No entanto, o impacto prático tem sido severo. Em Jacksonville, na Flórida, um dos focos das prisões, alguns subempreiteiros estimam ter perdido 70% de sua força de trabalho. David Hacker, proprietário da subempreiteira Construction Specialties of North Florida, relatou uma redução de 70% nas equipes disponíveis para certos serviços, o que levou a um aumento de quase o dobro nos preços. Ele também iniciou uma campanha de recrutamento com bônus em dinheiro.
“Essas operações têm como alvo redes de contratação ilegal que prejudicam os trabalhadores americanos, desestabilizam os mercados de trabalho e ameaçam as comunidades americanas”, afirmou um representante do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.
Medo e custos sequenciais
A situação também assusta trabalhadores imigrantes com situação migratória regular. Muitos deixaram de comparecer ao trabalho ou fugiram para outras regiões por medo de serem detidos. Um estudo do National Bureau of Economic Research constatou que cada prisão pelo ICE leva, em média, sete homens imigrantes em situação irregular a deixarem de trabalhar.
A construção de uma casa é um processo sequencial, onde cada etapa depende da anterior. A paralisação gera custos adicionais com juros, mão de obra no canteiro, gerenciamento da obra, aluguel de equipamentos, serviços públicos e seguros. Paul Schwinghammer, cofundador da Hallmark Homes, destacou que a escassez de mão de obra eleva os salários. Scott Brannock exemplificou que os salários para montagem de estruturas de madeira, antes em torno de US$ 20 por hora, agora chegam a US$ 40-45. Para uma casa de 232 m², o custo da estrutura subiu de US$ 10 mil para algo entre US$ 25 mil e US$ 28 mil.
Profissionais como Eddy Velazquez, que trabalhava há 18 anos no setor e foi deportado para o México após ser detido em março, deixam equipes sem profissionais experientes. Construtoras e subempreiteiros apontam que substituir esses trabalhadores por americanos será caro e demorado, pois “não há uma fila de pessoas querendo fazer muitos desses trabalhos”, segundo Josh Putnal, proprietário de uma subempreiteira.
Matérias originais
- Como a repressão à imigração dificulta a construção de casas nos Estados Unidos · investnews.com.br


