Raízen propõe aumento de capital de até R$ 3,5 bilhões para reforçar caixa
Destaques
- •A Raízen, em recuperação extrajudicial, anunciou um plano para levantar até R$ 3,5 bilhões através da emissão de novas ações.
- •A operação visa reforçar a estrutura de capital da companhia e capitalizar créditos previstos no plano de recuperação, mas pode diluir acionistas que não exercerem seu direito de preferência.
- •A proposta ainda depende de aprovações societárias em assembleias marcadas para 30 de outubro e deliberação do conselho em 5 de novembro de 2026.
A Raízen (RAIZ4), empresa em processo de recuperação extrajudicial, deu um passo significativo para fortalecer sua saúde financeira ao propor um aumento de capital de até R$ 3,5 bilhões. A emissão será realizada por meio da criação de novas ações ordinárias, preferenciais classe A (PNA) e preferenciais classe B (PNB), com previsão de subscrição mínima de 14 bilhões de ações ao preço de R$ 0,25 por papel. As novas ações terão direito integral a dividendos e outros proventos.
As ações preferenciais classe B emitidas não serão listadas em bolsa, permanecendo registradas no livro de ações nominativas da companhia. Caso a redesignação das atuais ações preferenciais seja aprovada, elas passarão a ser negociadas como PNA sob o ticker RAIZ5 a partir de 3 de novembro de 2026. Este anúncio ocorre cerca de 20 dias após a empresa propor um novo conselho, a criação de novas ações e uma redução de capital de até R$ 35 bilhões.
Operação depende de aprovações societárias
A proposta de aumento de capital ainda precisa ser aprovada em assembleias. A criação das ações preferenciais classe B, a redesignação das atuais preferenciais para classe A, a instituição de um programa de units e a reforma do estatuto social serão votadas em assembleia geral extraordinária e em assembleia especial de acionistas preferencialistas, ambas agendadas para 30 de outubro. Se aprovadas, as propostas seguirão para o conselho de administração, que deliberará sobre o aumento de capital em reunião prevista para 5 de novembro de 2026.
Cronograma e impacto para investidores
O cronograma divulgado pela empresa indica que a data de corte para o direito de preferência será em 5 de novembro de 2026, com o início da negociação "ex-direito" e do período de preferência em 6 de novembro, encerrando-se em 7 de dezembro. O crédito das novas ações está previsto para 18 de dezembro de 2026, embora as datas sejam indicativas e sujeitas a alterações.
Para os investidores, a operação apresenta um cenário de dupla face. Por um lado, o aumento de capital é visto como crucial para reforçar a estrutura financeira da Raízen e permitir a capitalização de créditos conforme o plano de recuperação extrajudicial. Por outro lado, a emissão pode levar a uma diluição acionária caso os acionistas não exerçam seu direito de preferência, alterando a composição acionária da empresa.
Contexto da recuperação extrajudicial
A Raízen tem enfrentado um período desafiador, marcado por prejuízos bilionários, alto endividamento e pressão sobre o fluxo de caixa. Em resposta, a companhia tem implementado um amplo processo de reestruturação financeira e operacional, incluindo a aceleração na venda de ativos, a redução de investimentos e a homologação de um Plano de Reestruturação Extrajudicial (PRE) para renegociar suas dívidas.



