Queda em ações judiciais contra planos de saúde é vista como positiva por analistas
Destaques
- •Número de novas ações judiciais na saúde suplementar caiu 39% em setembro na comparação anual.
- •Bradesco BBI vê sinal positivo para Hapvida, SulAmérica e BradSaúde, mas XP Investimentos alerta para aceleração de reclamações.
- •Melhora nos resultados financeiros das operadoras listadas na Bolsa ainda não é observada.
O número de novas ações judiciais envolvendo operadoras de planos de saúde apresentou uma queda significativa em setembro, um sinal considerado positivo por analistas do Bradesco BBI. Os dados mais recentes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam uma inflexão para um cenário menos pressionado, embora a melhora ainda não tenha se refletido nos resultados financeiros das companhias de capital aberto.
Em setembro, o número de novas ações judiciais em primeira instância e nos juizados especiais cíveis relacionados à saúde suplementar caiu 39% em relação ao mesmo mês do ano passado. Este resultado veio após uma revisão dos dados de agosto, que inicialmente indicava uma queda anual de 37% e foi ajustada para 15%. Na comparação mensal, os novos processos recuaram 22% em setembro. Comparado a maio, quando mais de 20 mil novos casos foram registrados, a queda em setembro chegou a 43%, totalizando aproximadamente 11,5 mil ações.
Tendência de redução dos litígios
Para o Bradesco BBI, a tendência de redução dos litígios deve persistir mesmo após ajustes nos dados. Os analistas Marcio Osaka, Raphael Elage e Henrique Spavieri sugerem que, com uma revisão semelhante à de agosto, a queda anual de setembro seria de 18%, o que ainda aponta para uma melhora relevante no volume de processos.
O banco também aponta que os esforços recentes da Hapvida para reduzir conflitos com beneficiários e adotar uma postura mais conciliatória na resolução de disputas podem estar contribuindo para essa diminuição nos processos judiciais. No entanto, os analistas ressaltam que ainda não há evidências claras dessa melhora nos resultados financeiros das operadoras listadas na Bolsa de Valores.
Perspectiva cautelosa da XP Investimentos
Em contrapartida, a XP Investimentos adota uma perspectiva mais cautelosa sobre o cenário. A corretora considera as Notificações de Intermediação Preliminar (NIPs) como um indicador antecedente da judicialização e destaca que as reclamações voltaram a acelerar. Em agosto de 2026, houve uma alta de 23% nas NIPs na comparação anual.
Para a XP, esse movimento de aceleração nas reclamações pode indicar que os processos judiciais tendem a permanecer em níveis elevados. Isso manteria a pressão sobre as despesas com contingências das operadoras de planos de saúde, impactando seus resultados financeiros. A análise da XP sugere que a melhora observada no número de ações pode não se traduzir em alívio financeiro imediato para empresas como Hapvida (HAPV3), SulAmérica (controlada da Rede D’or - RDOR3) e BradSaúde (SAUD3).



