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Protestos na Europa contra custo de vida e serviços públicos

24 de outubro de 2026
Protestos na Europa contra custo de vida e serviços públicos

Destaques

  • •Milhares de pessoas foram às ruas em cinco países europeus para protestar contra o alto custo de vida e a deterioração dos serviços públicos.
  • •A França registrou o maior número de participantes, com 410 mil pessoas, e quase 1.000 prisões.
  • •Os protestos ocorrem em um cenário de alta inflação e endividamento público na zona do euro.

Milhares de pessoas foram às ruas da França, Itália, Bélgica, Albânia e Espanha neste sábado (24.out.2026) em manifestações contra o alto custo de vida, a perda do poder de compra e a deterioração dos serviços públicos. Os atos foram marcados por confrontos entre policiais e manifestantes, além de prisões em diversas cidades.

Na França, o Ministério do Interior informou que 410 mil pessoas participaram dos protestos em todo o país, com quase 1.000 prisões, segundo o ministro Laurent Nuñez. Na Espanha, cerca de 25.000 manifestantes se reuniram em Madri para defender as aposentadorias públicas. Já na Albânia, manifestantes pediram a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama, acusado de corrupção. Embora não façam parte de um movimento único, os protestos refletem a insatisfação generalizada com as condições econômicas e a resposta dos governos às demandas da população.

Reivindicações variadas por país

As pautas das manifestações variaram conforme o país, mas a insatisfação com a economia e os serviços públicos foi um ponto comum. Na França, os manifestantes cobraram mais recursos para escolas e serviços públicos, em meio à pressão do governo para conter os gastos e o endividamento.

Na Itália, os atos tiveram como foco o custo de vida, os preços dos combustíveis e problemas nas áreas de emprego, saúde, educação e moradia. Caminhoneiros, agricultores e metalúrgicos também organizaram bloqueios. Em Milão, os atos foram pacíficos, mas em Turim, agentes usaram cassetetes e escudos para conter manifestantes.

Na Bélgica, os manifestantes protestaram contra o custo de vida e a deterioração dos serviços públicos. Em Bruxelas, centenas de pessoas marcharam entre duas das principais estações ferroviárias, com registro de policiais agredindo manifestantes. Na Espanha, a mobilização defendeu as aposentadorias públicas e cobrou medidas para enfrentar a crise habitacional, com a esquerda espanhola afirmando que a direita favorece uma privatização parcial do sistema previdenciário.

Na Albânia, os manifestantes cobravam o combate à corrupção, mais empregos e melhorias na educação. Em Tirana, manifestantes lançaram pedras contra policiais, que responderam com canhões de água.

Cenário de pressão fiscal e inflação

Parte das reivindicações se dá em um cenário de pressão sobre as contas públicas e o orçamento das famílias. O aumento dos custos de energia e combustíveis, influenciado pelos conflitos no Oriente Médio, encarece as despesas cotidianas. Ao mesmo tempo, o elevado endividamento limita a capacidade de alguns governos de ampliar os gastos públicos.

Segundo o Eurostat, órgão de estatísticas da União Europeia, no 2º trimestre de 2026, a dívida pública correspondia a 139,9% do PIB da Itália, 119,1% do francês, 110,2% do belga e 101,4% do espanhol. A inflação também é um fator de preocupação: em setembro, a taxa chegou a 4,2% na Itália, 5% na Espanha e 4,5% na Bélgica, enquanto na França ficou em 3,4%, abaixo da média do bloco.

Mobilização e segurança na França

Na França, os protestos ocorreram em cidades como Paris, Marselha e Lyon. Na capital, cerca de 110 mil pessoas participaram de uma marcha pacífica, segundo a polícia. No fim do ato, agentes usaram gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar grupos de jovens encapuzados.

Em Marselha, manifestantes incendiaram latas de lixo, bloquearam ruas e lançaram pedras e garrafas contra policiais. O Ministério do Interior contabilizou 410 mil participantes em todo o país, mas os sindicatos estimaram o dobro. Quase 1.000 pessoas foram presas e 70 mil agentes foram mobilizados para reforçar a segurança.

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