Protesto de caminhoneiros paralisa produção de muçarela na Itália
Destaques
- •Greve de caminhoneiros na Itália impede entrega de leite de búfala, paralisando a produção de muçarela e causando perdas de milhões de euros.
- •A crise expôs a fragilidade da cadeia de abastecimento italiana, onde 90% dos alimentos dependem do transporte rodoviário.
- •O governo italiano anunciou medidas de auxílio para caminhoneiros, mas os protestos continuaram em algumas regiões, com sinais de retomada das entregas.
Protestos de caminhoneiros contra a alta do diesel e dos custos operacionais paralisaram a produção de muçarela de búfala no sul da Itália nesta semana. A interrupção do transporte impediu a entrega de leite aos laticínios dentro do prazo de 60 horas exigido pelas regras de produção da Mozzarella di Bufala Campana DOP, certificação de origem e qualidade do queijo. Como resultado, cerca de 100 fabricantes associados ao consórcio interromperam suas atividades por três dias, perdendo aproximadamente € 3 milhões por dia em receita.
Em condições normais, o setor processa cerca de 1 milhão de litros de leite por dia, resultando na produção de aproximadamente 250 mil quilos de muçarela fresca. A crise, no entanto, não se limitou aos laticínios. Fabricantes de massas enfrentaram dificuldades para receber trigo, e agricultores tiveram problemas para escoar suas colheitas, com alimentos perecíveis correndo o risco de estragar antes de chegar aos mercados. Empresas como a Divella, da região da Puglia, relataram perdas de centenas de milhares de euros devido à paralisação de três dias na produção de massas.
O impacto na cadeia de abastecimento
A dependência do transporte rodoviário na Itália, onde quase 90% dos alimentos são distribuídos por estradas, tornou a paralisação particularmente severa. Supermercados em algumas áreas do sul registraram prateleiras vazias, tanto pela falta de entregas quanto pela corrida dos consumidores para estocar produtos. Varejistas estimaram prejuízos iniciais de dezenas de milhões de euros, com parte dos produtos perecíveis retidos em depósitos precisando ser descartada.
As razões dos protestos e as negociações
As manifestações dos caminhoneiros começaram em meados de outubro, em resposta ao aumento de cerca de um terço no preço do diesel e ao fim de um desconto temporário em impostos sobre o combustível. Além do custo do diesel, os transportadores cobram a liberação de compensações fiscais prometidas e medidas para repassar variações de custo aos clientes. Custos de pedágios e balsas também foram citados como fatores de pressão.
O ministro dos Transportes, Matteo Salvini, negociou com representantes do setor, e o governo se comprometeu a liberar créditos tributários para compensar gastos com diesel e recursos para renovação de frota. Em 22 de outubro, o gabinete da primeira-ministra Giorgia Meloni aprovou novas medidas de auxílio para caminhoneiros, agricultores e pescadores. No entanto, a negociação não encerrou imediatamente a crise. Enquanto algumas associações consideraram os compromissos suficientes, grupos que organizavam bloqueios no sul mantiveram os protestos, com relatos de intimidação a motoristas que tentavam trabalhar.
Retomada gradual e efeitos duradouros
Na quinta-feira (22), as manifestações começaram a perder força, e as entregas foram retomadas em algumas regiões, embora o episódio já tivesse afetado a distribuição de alimentos e combustível, inclusive para aeroportos na Calábria. Especialistas alertam que os efeitos da crise vão além das perdas financeiras imediatas, podendo gerar ansiedade nos consumidores e estimular compras por precaução, agravando a escassez.



