PLOA 2027 prevê R$ 16,07 bilhões para transportes, com queda de 4%

Destaques
- •Investimentos em transportes para 2027 somam R$ 16,07 bilhões, 4% a menos que em 2026.
- •Redução é puxada pela queda nos investimentos de estatais, apesar de aumento no orçamento da União.
- •Rodovias concentram 85,2% dos recursos, mas demanda estimada é quatro vezes maior que o previsto.
Os investimentos no setor de transportes previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 totalizam R$ 16,07 bilhões, considerando os orçamentos da União e das empresas estatais. O montante representa uma redução de 4% em relação à proposta orçamentária de 2026 para o setor, que previa R$ 16,73 bilhões, segundo levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT).
A retração contrasta com a variação positiva dos investimentos previstos diretamente no orçamento da União. Nesse recorte, os recursos para transportes passam de R$ 14,42 bilhões na proposta de 2026 para R$ 14,61 bilhões na de 2027. Por outro lado, a diminuição nos investimentos previstos para as empresas estatais do setor, de R$ 2,31 bilhões para R$ 1,45 bilhão, é o principal fator da queda geral.
Investimentos por modal e necessidades
Entre os modais considerados pela CNT, o transporte rodoviário concentra a maior parcela dos investimentos previstos, com R$ 12,46 bilhões, equivalente a 85,2% do total destinado às subfunções do setor.
O levantamento destaca ainda R$ 808,61 milhões para o transporte ferroviário, R$ 640,73 milhões para o aquaviário e R$ 212,61 milhões para o aéreo.
A CNT também aponta uma discrepância significativa entre os recursos previstos para rodovias e a necessidade estimada de investimentos na malha pública federal. Segundo a entidade, seriam necessários R$ 49,93 bilhões para atender às demandas identificadas nas rodovias sob gestão federal, cerca de quatro vezes os R$ 12,46 bilhões previstos para o transporte rodoviário na proposta orçamentária de 2027.
Recuos em empresas estatais e ministérios
No orçamento das empresas estatais do setor, como a Infraero e a Companhia das Docas, os investimentos recuam de R$ 2,31 bilhões no PLOA de 2026 para R$ 1,45 bilhão no de 2027.
A previsão para o setor aquaviário cai de R$ 1,79 bilhão para R$ 1,04 bilhão. Para o setor aéreo, os investimentos previstos diminuem de R$ 522,44 milhões para R$ 412,95 milhões.
No Ministério dos Transportes, os investimentos previstos somam R$ 13,67 bilhões no PLOA de 2027, ante R$ 13,65 bilhões na proposta do ano anterior. Para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a previsão é de R$ 12,42 bilhões, um aumento em relação ao PLOA de 2026, mas abaixo do valor aprovado na Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano.
O orçamento do Ministério de Portos e Aeroportos apresenta redução no total de recursos previstos, de R$ 4,12 bilhões para R$ 3,18 bilhões. Apesar disso, as despesas classificadas como investimentos aumentam de R$ 768,24 milhões para R$ 941,53 milhões, refletindo, em parte, a forte queda nas inversões financeiras previstas para a pasta.
Próximos passos e ressalvas
Os números do levantamento comparam propostas orçamentárias e, em alguns casos, valores autorizados na lei orçamentária vigente. Portanto, não representam necessariamente o montante que será efetivamente gasto em 2027.
A execução dependerá da aprovação do orçamento pelo Congresso Nacional, da configuração da Esplanada dos Ministérios, de eventuais alterações durante a tramitação e da liberação dos recursos ao longo do exercício financeiro.



