Tesouro Direto: taxas caem com pesquisas eleitorais e expectativa de ajuste fiscal

Destaques
- •Taxas do Tesouro Direto recuaram levemente nesta quarta-feira (21), após pesquisas eleitorais indicarem vantagem de candidato de oposição.
- •Títulos atrelados à inflação com vencimento mais longo apresentaram as maiores quedas, com o IPCA+ 2050 passando de IPCA + 6,73% para IPCA + 6,68%.
- •O mercado reage às pesquisas com a perspectiva de que uma mudança de governo possa resultar em um ajuste fiscal mais robusto.
As taxas de rentabilidade dos títulos públicos federais negociados no Tesouro Direto apresentaram uma leve queda nesta quarta-feira (21), marcando a primeira retração desde 9 de outubro. A movimentação é atribuída, principalmente, às pesquisas de intenção de voto para o segundo turno das eleições presidenciais, que indicam a manutenção da vantagem do candidato de oposição, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sobre o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP).
O mercado financeiro tem interpretado esses resultados eleitorais como um sinal de que uma eventual mudança de governo poderia trazer consigo um ajuste fiscal mais acentuado. Essa expectativa tem influenciado o comportamento dos investidores na plataforma de títulos públicos.
O que aconteceu com as taxas
A maior parte dos títulos do Tesouro Direto viu suas taxas recuarem entre 0,01 e 0,02 ponto percentual. Os títulos prefixados, que oferecem uma taxa de juros definida no momento da compra, apresentaram variação mínima. O Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, rende 12,61% ao ano, enquanto o Prefixado 2032 oferece 12,80% e o Prefixado com Juros Semestrais 2037, 12,83%.
No entanto, a ponta mais longa dos títulos atrelados à inflação, os chamados Tesouro IPCA+, foi a que mais sentiu o movimento de queda. O Tesouro IPCA+ 2050, por exemplo, teve sua taxa reduzida de IPCA + 6,73% para IPCA + 6,68%. Títulos como o Renda+ e o Educa+ com vencimentos mais distantes também seguiram essa tendência, com quedas de dois a quatro centésimos de ponto percentual.
Impacto para o investidor
A queda nas taxas de juros significa uma valorização nos preços dos títulos já emitidos. Para quem aplicou R$ 10 mil no Tesouro IPCA+ 2050 na terça-feira, a uma taxa de IPCA + 6,73%, o investimento teria um valor aproximado de R$ 10.115 nesta quarta-feira, gerando um ganho de cerca de R$ 115 em um único dia. É importante notar que esses ganhos são apenas contábeis e só se concretizam se o investidor vender o título antes do vencimento.
Contudo, o movimento não foi uniforme. O Tesouro Educa+ 2035 foi um dos poucos títulos a registrar uma leve alta em sua taxa, de 0,01 ponto. Uma aplicação de R$ 10 mil neste título teria uma pequena desvalorização, caindo para cerca de R$ 9.993,67.
É fundamental lembrar que esses valores não consideram impostos como o Imposto de Renda ou taxas de custódia. Para quem mantém o título até o vencimento, o rendimento garantido é aquele contratado no momento da compra, independentemente das flutuações de mercado no período.
O que esperar
A queda nas taxas ocorre a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25). A expectativa de um ajuste fiscal mais forte, caso haja mudança de governo, continua sendo o principal fator de atenção para os investidores em títulos públicos. As próximas pesquisas e declarações dos candidatos sobre suas propostas econômicas serão cruciais para determinar a direção das taxas do Tesouro Direto no curto prazo.
Matérias originais
- Tesouro Direto hoje: taxas recuam a quatro dias do segundo turno · investnews.com.br



