Petróleo sobe com tensões no Oriente Médio e afeta mercados globais

Destaques
- •Preços do petróleo Brent atingem maior nível desde maio, impulsionados por ataques no Oriente Médio.
- •A alta do petróleo e incertezas geopolíticas pressionam mercados globais e o Ibovespa.
- •Investidores aguardam desfecho das eleições presidenciais no Brasil e dados de inflação.
Os preços do petróleo registraram uma alta significativa nesta sexta-feira (23), com o Brent, referência global e para a Petrobras, alcançando o maior nível desde maio, negociado a US$ 114,31 o barril. O petróleo americano WTI também avançou, superando os US$ 100 o barril. Essa valorização, que caminha para a terceira alta semanal consecutiva, alimenta temores de inflação e impacta os mercados financeiros globais, incluindo a bolsa brasileira.
A escalada nos preços do petróleo é atribuída a novos ataques dos houthis, grupo apoiado pelo Irã, contra a Arábia Saudita. A Saudi Aramco, maior exportadora de petróleo do mundo, chegou a evacuar sua sede em Dhahran. Relatos de ataques a embarcações no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, com o Irã afirmando estar preparado para uma guerra assimétrica, aumentam o risco de interrupções no fornecimento e a instabilidade no Oriente Médio. Investidores temem uma escalada do conflito capaz de afetar o fluxo de petróleo.
Impacto nos mercados globais e brasileiros
A alta do petróleo e as tensões geopolíticas geram cautela nos mercados. Em Wall Street, os contratos futuros dos principais índices operavam em baixa no pré-mercado. O Dow Jones recuava 0,58%, o S&P 500 perdia 0,2% e o Nasdaq 100 estava estável. O dólar futuro na B3 operava com leve baixa, cotado a R$ 5,060.
No Brasil, o Ibovespa Futuro iniciava o pregão em alta, impulsionado pela expectativa do segundo turno das eleições presidenciais, mas o cenário externo, com o petróleo em alta, e a volatilidade em ações de inteligência artificial (IA) tendem a limitar os ganhos. A incerteza com o financiamento de investimentos em IA também afeta o mercado de tecnologia.
Cenário eleitoral e inflação no Brasil
O último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil é marcado pela atenção dos investidores às pesquisas. Um levantamento do Datafolha mostrou um empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ambos com 50% dos votos válidos. O debate final entre os candidatos, promovido pela TV Globo, também é um ponto de atenção.
Além das eleições, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, subiu 0,32% em outubro, acumulando 4,62% em 12 meses. O número desacelerou na comparação mensal, mas ficou acima do esperado em 12 meses, indicando que a inflação está dentro da meta do Banco Central.
Resultados corporativos e outros fatores
O Bradesco (BBDC4) divulgou seu balanço do terceiro trimestre, com lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões, em linha com as expectativas do mercado. O banco também anunciou a renovação de seu programa de recompra de ações, podendo adquirir até 106,5 milhões de papéis. A Rússia também aceitou suspender a proibição de exportações de diesel, com um petroleiro seguindo para Nova York.
Em outro ponto, a inflação subjacente do Japão acelerou para 2,1% em setembro, superando a meta do Banco do Japão. Os preços do minério de ferro na China fecharam em alta, impulsionados pela redução de estoques, mas registraram a sétima perda semanal consecutiva devido à fraca demanda.
Matérias originais
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