Petróleo sobe 15% em novembro com tensões geopolíticas globais

Destaques
- •Preços do petróleo Brent e WTI fecharam novembro em alta, impulsionados por conflitos no Oriente Médio e incertezas sobre negociações EUA-Irã.
- •A Petrobras manteve alta utilização de refinarias em outubro (98%) para reduzir importações e capturar margens elevadas, com expectativa de manter o ritmo em novembro e dezembro.
- •Analistas preveem que os preços do petróleo continuarão voláteis até que haja clareza geopolítica, com foco nas eleições americanas e tensões na Ucrânia.
Os contratos futuros de petróleo Brent e WTI fecharam o mês de novembro em alta expressiva, com o Brent avançando 15,70% e o WTI 15,15%. A valorização é impulsionada por um cenário de incertezas geopolíticas globais, incluindo as negociações entre Estados Unidos e Irã, e as tensões entre Arábia Saudita e rebeldes houthis no Iêmen, que mantêm sob ameaça a infraestrutura energética da região.
O petróleo Brent para janeiro encerrou novembro cotado a US$ 113,43 o barril, enquanto o WTI para dezembro fechou a US$ 104,12 o barril. A escalada de preços ocorre em meio a ataques a embarcações no Estreito de Ormuz e à interceptação de drones pela coalizão liderada pela Arábia Saudita.
Tensões Geopolíticas Elevam Preços do Petróleo
Mediadores do Catar retornaram ao Irã para tentar destravar um acordo com Washington, enquanto ataques a navios persistem. Um navio-tanque chegou a pegar fogo após a fixação de explosivos em seu casco no Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou a necessidade de garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares.
Adicionalmente, o Kremlin acusou a Ucrânia de ignorar um pedido de Trump para cessar ataques a refinarias russas, adicionando mais uma camada de instabilidade ao cenário energético global.
Petrobras Aumenta Produção e Margens com Alta Utilização de Refinarias
No Brasil, a Petrobras (PETR4) manteve um elevado nível de utilização de suas refinarias em outubro, atingindo 98%, próximo dos 99% do terceiro trimestre. O diretor de Processos Industriais e Produtos da companhia, William França, afirmou que a estatal busca reduzir a necessidade de importações de derivados, especialmente diesel, e capturar os preços mais elevados do Brent.
A companhia chegou a operar acima de 100% da capacidade nominal em alguns momentos, utilizando uma “reserva técnica” de seu parque de refino. A expectativa é que o nível de utilização continue elevado em novembro e dezembro, com uma alteração no “mix” de refino para atender à demanda de verão por gasolina e reduzir a oferta de diesel.
França destacou que as margens de derivados foram um “grande mocinho” no terceiro trimestre, beneficiadas pelo alto nível de utilização e pelos spreads de diesel, que estavam “bastante altos, quase o preço do Brent”. Essa performance contribui para o caixa e alavanca o desempenho financeiro da companhia.
Perspectivas e Próximos Passos
Analistas do MUFG preveem que os preços do petróleo continuarão em tendência de alta até que haja clareza sobre as condições geopolíticas. O período pós-eleições de meio de mandato nos EUA é visto como um foco para potencial deterioração da segurança regional.
O novo plano de negócios da Petrobras, a ser divulgado em novembro, deverá contemplar investimentos para tornar o Brasil autossuficiente em diesel a partir de 2030, já que o país atualmente importa cerca de 30% de sua demanda pelo combustível. Uma parada programada para obras de ampliação na refinaria Replan, entre março e abril de 2027, deve reduzir a utilização geral para cerca de 96%.
Matérias originais
- Petróleo fecha em alta e avança 15% no mês com ataques no Oriente Médio · infomoney.com.br
- Petrobras (PETR4) fecha outubro com nível elevado de utilização das refinarias, de 98%, diz diretor · moneytimes.com.br
- Petróleo fecha em alta no dia e avança 15% no mês em meio a conflito no Oriente Médio · moneytimes.com.br



