Petróleo em alta e juros nos EUA pressionam Ibovespa e câmbio no Brasil

Destaques
- •Petróleo Brent atinge US$ 115,32, alta de 80% no ano, e Fed mantém juros nos EUA, impactando inflação e câmbio brasileiro.
- •Ibovespa fecha abaixo de 170 mil pontos com Bradesco e Ambev em baixa, enquanto dólar sobe a R$ 5,3875 devido a fatores externos e incertezas fiscais.
- •Mercado aguarda sinais fiscais do novo governo Lula e monitora decisões do Copom em meio a cenário global adverso.
O petróleo Brent fechou a US$ 115,32 o barril, acumulando uma alta de cerca de 80% no ano, enquanto o Federal Reserve (Fed) manteve os juros americanos entre 3,75% e 4%. Esses fatores externos, somados a preocupações domésticas com a política fiscal, pressionaram o mercado brasileiro, com o Ibovespa fechando abaixo dos 170 mil pontos e o dólar subindo para R$ 5,3875.
A alta do petróleo Brent, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio e problemas de oferta, eleva o custo do diesel no Brasil. A defasagem nas refinarias da Petrobras chegou a 108%, superando a subvenção. Esse repasse impacta a inflação, com o IPCA de setembro já rodando acima do teto da meta.
Juros nos EUA e inflação global impactam o Brasil
A decisão do Federal Reserve de manter os juros americanos elevados, com parte do colegiado defendendo novas altas, reflete a persistência da inflação nos EUA, impulsionada pela alta da gasolina. Essa política monetária restritiva nos EUA afeta os fluxos de capital para mercados emergentes, como o Brasil, aumentando o custo para investidores e pressionando o câmbio.
O câmbio flutuante e a Selic a 13,75% oferecem uma proteção limitada contra esse cenário. Quando o Fed sinaliza juros altos por mais tempo, investidores cobram mais para alocar recursos em emergentes, especialmente em países com risco fiscal percebido. A disparada do dólar após o segundo turno eleitoral, de R$ 4,99 para R$ 5,50, exemplifica essa dinâmica.
Mercado doméstico sob pressão e incertezas fiscais
No mercado acionário brasileiro, o Ibovespa registrou a quarta queda seguida, fechando abaixo de 170 mil pontos. Empresas como Bradesco e Ambev sofreram com relatórios de analistas negativos e resultados trimestrais. A dívida pública bruta do Brasil atingiu 82,93% do PIB em setembro, o maior nível em mais de cinco anos, aumentando as preocupações com a trajetória fiscal.
A incerteza sobre os planos econômicos e a equipe do novo governo Lula, que ainda não foram anunciados, contribui para o prêmio de risco no preço dos ativos. O mercado aguarda sinais fiscais concretos para reduzir essa desconfiança.
O que esperar para os próximos passos
O Copom, que se reúne em novembro, enfrentará um cenário desafiador, com combustível represado, dólar mais caro e um Fed que pode voltar a subir juros. O mercado já reduziu as projeções de cortes da Selic. A autonomia do Copom para continuar cortando juros dependerá da conquista de credibilidade fiscal, com o preço dessa credibilidade elevado nesta semana.
Investidores são aconselhados a evitar decisões binárias e a posicionar suas carteiras com cautela. Títulos como o Tesouro IPCA+ podem oferecer proteção contra a inflação represada, enquanto a exposição ao dólar deve ser estrutural. A B3 anunciou mudanças nos procedimentos operacionais dos índices de renda variável a partir de janeiro de 2027.
Matérias originais
- Petróleo a US$ 115 e Fed: a Conta Que Não Vem de Brasília · forbes.com.br
- Ibovespa Fecha Abaixo de 170 Mi Pontos com Bradesco entre Pressão · forbes.com.br



