Partidos do Centrão liberam filiados para compor o governo Lula

Destaques
- •União Brasil e PP, que formam a Federação União Progressista, sinalizam aproximação com o governo eleito.
- •PSD, que optou pela neutralidade no segundo turno, busca manter ministérios estratégicos como Minas e Energia e Agricultura.
- •Lula enfrenta o desafio de acomodar aliados e partidos do Centrão, podendo até criar novos ministérios.
Os partidos União Brasil e PP, que compõem a Federação União Progressista, decidiram liberar seus filiados para participar do próximo governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão sinaliza uma mudança de postura das legendas, que declararam oposição ao governo antes do primeiro turno, mas mantiveram quadros ocupando espaços na Esplanada dos Ministérios. A apuração é do analista de política Pedro Venceslau.
Segundo Venceslau, o PSD, de Gilberto Kassab, puxou a fila das negociações por ter optado pela neutralidade no segundo turno das eleições presidenciais. O partido, que atualmente ocupa três ministérios, deseja manter pelo menos duas pastas estratégicas: Minas e Energia e Agricultura. O Ministério da Pesca estaria disponível para negociação, pois a legenda almeja um cargo de maior relevância.
PSD busca manter ministérios estratégicos
O atual titular de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é bem avaliado por Lula, especialmente por sua atuação em Minas Gerais, estado considerado determinante para a vitória eleitoral. O deputado Antônio Brito (PSD-BA) também surge como cotado para ocupar o terceiro ministério da cota do partido.
A Federação União Progressista, ao liberar seus filiados para integrar o governo, envia um recado de disponibilidade: “Não significa que eles estão pedindo nada, mas dando um recado: estamos aqui, topamos participar”, explicou Venceslau. Os partidos passariam a integrar a base do governo de forma independente.
Desafios na formação da Esplanada
O analista destacou que Lula enfrentará grandes dificuldades para acomodar todos os partidos do Centrão, além de aliados que perderam as eleições ou permaneceram no governo a seu pedido. "Ele vai ter que fazer uma engenharia e talvez até criar novos ministérios", concluiu Venceslau.
O Republicanos, que teve Silvio Costa Filho ocupando o Ministério de Portos e Aeroportos até o começo de 2026, também foi citado no contexto das negociações. "É um ministério bastante importante e cobiçado", afirmou o analista.
Indicação para o STF divide aliados de Lula
Paralelamente às negociações ministeriais, a indicação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) também divide o entorno do presidente Lula. Uma ala defende a reapresentação do nome de Jorge Messias, enquanto outros aliados avaliam que o caminho mais seguro seria indicar Rodrigo Pacheco.
O grupo que apoia Pacheco acredita que a indicação do atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) pacificaria a relação com o Senado Federal e garantiria a aprovação. Por outro lado, a corrente que defende Messias argumenta que Lula, após a reeleição, estaria politicamente mais forte para emplacar seu candidato, transformando a indicação em uma "questão de honra" após o veto anterior.
A decisão sobre o nome a ser indicado ao STF é prerrogativa do Executivo, mas o Senado tem o poder de escolher ou vetar. A composição atual do Senado Federal, considerada "menos à direita do que será a próxima", pode ser um fator na viabilização da aprovação de Messias. O apoio de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Senado Federal também deve entrar no cálculo político.
Matérias originais
- Após PSD, federação União-PP vai abrir conversas com Lula · cnnbrasil.com.br
- Entorno de Lula se divide entre Pacheco e Messias para vaga no STF · cnnbrasil.com.br



