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Pará: Operação Federal Combate Incêndios com 522 Brigadistas e R$ 300 Milhões

23 de outubro de 2026
Pará: Operação Federal Combate Incêndios com 522 Brigadistas e R$ 300 Milhões

Destaques

  • •Operação federal mobiliza 522 brigadistas, 41 veículos e 13 aeronaves no oeste do Pará para combater incêndios florestais.
  • •16 municípios paraenses decretaram estado de emergência, e o governo federal abriu crédito extraordinário de R$ 300 milhões para ações de Defesa Civil.
  • •Investigações apuram possível relação entre queimadas e ocupação irregular de terras, com reforço da Força Nacional de Segurança.

Uma grande operação federal está em curso no oeste do Pará para combater incêndios florestais, mobilizando 522 brigadistas, 41 veículos terrestres e 13 aeronaves. A região enfrenta um cenário complexo de uso irregular do fogo, ocupação de terras e estiagem, com autoridades ambientais investigando as causas. O Pará lidera as ocorrências de incêndios florestais no país, com 321 focos ativos em 76 municípios, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O governo anunciou o reforço das equipes em campo e a abertura de um crédito extraordinário de R$ 300 milhões para ações da Defesa Civil em diversas regiões do Brasil, incluindo o Pará. 16 municípios paraenses já decretaram situação de emergência devido aos incêndios e à seca.

Reforço e Investigação de Ações Criminosas

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, informou o acionamento da Força Nacional de Segurança para auxiliar os brigadistas. O reforço policial foi solicitado após relatos de ações que poderiam dificultar o trabalho das equipes de combate aos incêndios. As autoridades investigam a possibilidade de que parte das queimadas esteja ligada a práticas criminosas em áreas de ocupação irregular, embora ainda não haja confirmação sobre a origem intencional dos incêndios.

“Não estamos afirmando que há ocorrência direta [de incêndios criminosos], mas isto está sendo investigado”, declarou Capobianco. O governo também orientou a população a evitar o uso inadequado do fogo e a comunicar possíveis práticas criminosas às autoridades.

Focos Concentrados e Apoio Aéreo

A região conhecida como Chapadão, na divisa entre Santarém e Uruará, concentra 62 incêndios florestais identificados pelo governo. Esta área fica próxima à rodovia estadual PA-370 e à Transamazônica (BR-230), e abrange assentamentos da reforma agrária, reservas legais e ocupações irregulares. A operação federal também inclui áreas em São Félix do Xingu, no sudeste do Pará.

Para ampliar a capacidade de resposta no Chapadão, seis aviões Air Tractor serão posicionados em Santarém. Essas aeronaves são usadas para lançar água sobre as áreas atingidas, apoiando o trabalho terrestre dos brigadistas do Ibama e do ICMBio. A mobilização integra a estrutura de 13 aeronaves federais.

Seca e Situação de Emergência

A extensão dos incêndios afeta áreas urbanas, rurais e ribeirinhas. Em Altamira, a prefeitura decretou situação de emergência devido à estiagem e às queimadas. Outros 15 municípios adotaram a mesma medida, e sete pedidos de reconhecimento federal ainda estão em análise. O reconhecimento federal permite que os municípios solicitem apoio da União para ações de resposta a desastres, especialmente diante das limitações de capacidade de atendimento das administrações municipais.

O governo relacionou a escassez de chuvas na região à influência do fenômeno El Niño, que contribui para o aumento de municípios em situação de seca moderada a severa. A fumaça dos incêndios também impacta a qualidade do ar em áreas habitadas, com Santarém registrando ar classificado como insalubre.

Recursos e Próximos Passos

A resposta financeira ganhou um novo instrumento com a Medida Provisória 1.398/2026, que abre crédito extraordinário de R$ 300 milhões no Orçamento de 2026 para ações da Defesa Civil. Os recursos visam enfrentar os efeitos da estiagem e dos incêndios florestais, com atenção especial à Amazônia.

A operação combina ações de combate aéreo e terrestre, fiscalização ambiental e apoio das forças de segurança. As investigações sobre possíveis interferências no trabalho dos brigadistas e suspeitas de uso criminoso do fogo continuam em andamento. O ministro Capobianco mencionou ações preventivas em relação a fenômenos que tornam as florestas mais suscetíveis a incêndios desde 2024.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na REVISTA FOCO em 2025 analisou a distribuição espacial e temporal dos focos de queimadas em Santa Izabel do Pará, entre janeiro de 2020 e setembro de 2025. Utilizando dados do Banco de Dados de Queimadas (BDQueimadas/INPE) e do IBGE, a pesquisa identificou que 95,6% dos registros ocorreram em áreas rurais, com maior incidência entre agosto e novembro, especialmente em setembro, outubro e novembro. O ano de 2024 apresentou a maior concentração de focos, enquanto 2025 registrou uma redução expressiva até setembro. O estudo conclui que a dinâmica das queimadas é determinada por fatores naturais, socioambientais e institucionais, reforçando a importância do monitoramento multitemporal e do uso de ferramentas de geoprocessamento para subsidiar o planejamento territorial e políticas públicas.

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