ONU: Sete candidatos disputam sucessão de Antonio Guterres em 2027

Destaques
- •A ONU busca um novo secretário-geral para suceder Antonio Guterres em 2027, com sete candidatos na disputa.
- •O futuro líder enfrentará desafios como o recorde de conflitos armados, subfinanciamento da organização e tensões geopolíticas.
- •A decisão final cabe aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, com pressão por uma mulher e representação regional.
A Organização das Nações Unidas (ONU) se prepara para a escolha de seu próximo secretário-geral, cargo que será vago em 2027 com o fim do mandato do português Antonio Guterres. Sete candidatos de diferentes nacionalidades disputam a posição, mas até o momento nenhum nome emergiu como consenso. A decisão final deve ser tomada antes de 31 de dezembro deste ano.
O futuro líder da ONU terá pela frente um cenário global complexo, marcado por um número recorde de conflitos armados em todo o mundo, estimados em 104 pelo think tank Geneva Academy. A organização também enfrenta desafios como o subfinanciamento, agravado pela menor contribuição dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump, e as crescentes ameaças da inteligência artificial e das mudanças climáticas à segurança alimentar.
Um cenário de desafios globais
O próximo secretário-geral precisará de grande habilidade política para navegar em um contexto de cooperação internacional em declínio. A análise do grupo The Conversation aponta que muitos países estão se afastando do diálogo internacional, enquanto conflitos persistem na África e no Oriente Médio, e novas fronteiras de disputa surgem no Ártico, ciberespaço, espaço sideral e oceanos.
O think tank Geneva Academy detalha que 104 conflitos armados estão em curso, a maioria não internacionais, envolvendo múltiplos atores e intervenções estrangeiras. São 45 no Oriente Médio, 35 na África, 21 na Ásia, sete na Europa e seis na América Latina, incluindo a violência ligada a organizações criminosas.
Subfinanciamento e influência dos EUA
A ONU atravessa um período crítico de subfinanciamento, com ameaças de cortes orçamentários. A redução das contribuições dos Estados Unidos é um fator chave, com o país devendo cerca de US$ 5 bilhões à organização, sendo mais de US$ 2 bilhões ao orçamento regular. Donald Trump, crítico da ONU, notificou o Congresso seu plano de aportar apenas US$ 850 milhões.
O jornal The Wall Street Journal noticiou que Trump estaria articulando apoio com China e Rússia para indicar o ex-primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, para o cargo, uma notícia recebida com ceticismo nos círculos diplomáticos.
Critérios e candidatos na disputa
Embora não haja regras rígidas, uma carta da Assembleia Geral da ONU no final do ano passado incentivou a consideração de mulheres para o cargo, destacando a importância da diversidade regional. O princípio de rotação geográfica também favorece o bloco latino-americano e caribenho.
Os sete candidatos são: Ivonne A-Baki (Equador), María Fernanda Espinosa Garcés (Equador), Rafael Mariano Grossi (Argentina), Rebeca Grynspan Mayufis (Costa Rica), Lana Zaki Nusseibeh (Emirados Árabes Unidos), Olara Otunnu (Uganda) e Carolyn Rodrigues Birkett (Guiana). Cada um apresenta propostas que vão desde a prevenção de guerras e reforma do Conselho de Segurança até a revitalização da autoridade moral da ONU e a promoção do desenvolvimento global.
Como funciona a escolha
Os candidatos devem ser indicados por um Estado-Membro. A decisão final cabe aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (China, França, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos), conhecidos como P5. O candidato que obtiver apoio majoritário no Conselho e não sofrer veto de nenhum membro do P5 será o escolhido.



