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Vale espera estabilidade de custos e avanço regulatório em 2027

30 de outubro de 2026
Vale espera estabilidade de custos e avanço regulatório em 2027

Destaques

  • •Mineradora busca conter pressões de custos com hedge e contratos de longo prazo, esperando estabilidade para o 4º trimestre de 2026.
  • •Vale aposta em regulamentação de minerais críticos e decreto sobre cavidades naturais para destravar investimentos em cobre e otimizar operações de minério de ferro.
  • •A companhia prioriza preservação de caixa e redução de dívida diante de incertezas geopolíticas, optando por não distribuir dividendos extraordinários em 2026.

A Vale espera um cenário de estabilidade nos custos operacionais no quarto trimestre de 2026 (4T26), após enfrentar pressões no trimestre anterior, principalmente devido à alta do petróleo. A mineradora detalhou em teleconferência com analistas suas estratégias para mitigar esses impactos e proteger sua competitividade, focando na entrega de volumes com o custo e qualidade adequados para maximizar a criação de valor.

A companhia tem sido afetada pela aceleração dos preços do bunker, combustível utilizado em navios de frete marítimo, e pela fraqueza nos preços do minério de ferro. Para o negócio de minério de ferro, a expectativa é que os custos permaneçam dentro das projeções anuais. No 2T26, a Vale revisou para cima seu guidance de custos, com a previsão para o custo caixa C1 entre US$ 22,50 e US$ 23,50 por tonelada, e o custo all-in entre US$ 58 e US$ 62 por tonelada.

Estratégias para conter custos e riscos

Para compensar as pressões inflacionárias e os custos mais elevados de diesel e combustível marítimo, a Vale tem investido em iniciativas de produtividade e em contratos de transporte e operações de hedge. Cerca de 75% das necessidades de transporte marítimo estão cobertas por contratos de longo prazo, com projeção de mais de 80% para 2027. A empresa também utiliza acordos futuros de frete (FFAs) e hedge de petróleo para reduzir a exposição às oscilações do mercado.

Essas proteções já demonstraram efeito: o frete realizado no 3T26 foi de US$ 22,80 por tonelada, mas caiu para US$ 21,40 após ajustes de hedge. Da mesma forma, o custo all-in do minério de ferro, de US$ 60,40, recuou para US$ 59,00. A estratégia marítima de longo prazo teria evitado cerca de US$ 3 bilhões em custos em 2026.

No petróleo, a Vale protegeu cerca de 70% da exposição prevista para o 4T26 a um preço médio de US$ 79 por barril, e 67% para 2027 a cerca de US$ 78. No câmbio, cerca de US$ 700 milhões foram protegidos no 4T26 a uma taxa média de R$ 5,80, e aproximadamente US$ 5 bilhões para 2027 a R$ 5,70. O programa de hedge gerou US$ 249 milhões em benefícios de caixa no 3T26 e US$ 702 milhões nos nove primeiros meses de 2026.

Avanços regulatórios esperados em Brasília

Com o fim das eleições, a Vale espera avanços em Brasília em duas frentes que podem impulsionar novos investimentos em cobre e aumentar a competitividade do minério de ferro. A mineradora vê na regulamentação da Lei de Minerais Críticos e na publicação de um novo decreto sobre cavidades naturais oportunidades para crescimento a médio e longo prazo.

O CFO, Marcelo Bacci, afirmou que a continuidade do governo Lula favorece o avanço dessas iniciativas, que já estavam em discussão. A regulamentação dos minerais críticos pode criar condições para a Vale ampliar investimentos em cobre, com meta de produção de 500 mil toneladas em 2030 e 700 mil em 2035. O decreto sobre cavidades naturais tem implicações mais diretas para o minério de ferro, especialmente no Sistema Norte, com potencial para ampliar a produção e reduzir custos operacionais.

Apesar do potencial de ganhos, Bacci descartou impacto imediato sobre os resultados. Mesmo com a publicação da nova regulamentação ainda em 2026, os efeitos não serão sentidos em 2027.

Desempenho financeiro e cautela com dividendos

A Vale encerrou o 3T26 com lucro líquido de US$ 1,2 bilhão, queda de 53% em relação ao ano anterior e 9% ante o 2T26, ficando abaixo das projeções de US$ 1,5 bilhão. A receita líquida somou US$ 10,6 bilhões (alta de 2% anual), e o Ebitda ajustado totalizou US$ 3,3 bilhões (retração de 24% anual). O desempenho reforça a importância da diversificação da mineradora.

A queda no preço do minério de ferro e o encarecimento do frete podem limitar o crescimento da produção, com cerca de 5 milhões de toneladas anualizadas em risco em 2027, dependendo das condições de mercado. A cautela também se reflete na política de remuneração: apesar do crescimento de 48% do fluxo de caixa livre para US$ 2,2 bilhões e da redução da dívida líquida para US$ 16,4 bilhões, a Vale não prevê distribuir dividendos extraordinários em 2026.

Bacci explicou que as incertezas geopolíticas para 2027 levaram a companhia a priorizar a preservação de caixa e a manutenção de um nível mais baixo de endividamento, optando por um lado conservador para lidar com cenários incertos.

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