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OceanPact vende navios por US$ 86 milhões e impulsiona dividendos

03 de novembro de 2026

Destaques

  • •OceanPact anuncia venda de duas embarcações por US$ 86 milhões, gerando expectativa de dividendos.
  • •Analistas do Bradesco BBI e Itaú BBA veem o negócio como vantajoso, com potencial de criação de valor e ganho de capital.
  • •A transação pode reduzir a alavancagem da empresa e aumentar a distribuição de caixa aos acionistas.

A OceanPact (OPCT3) anunciou nesta terça-feira (21) a venda de duas embarcações de apoio offshore do tipo PSV (Platform Supply Vessel), a CBO Energy e a CBO Wiser, por um valor total de US$ 86 milhões. A operação foi bem recebida por analistas de mercado e reforça a expectativa de distribuição adicional de dividendos aos acionistas da companhia. As ações da empresa fecharam o pregão com alta de 4,34%, a R$ 9,37.

O acordo prevê o pagamento de 10% do valor como sinal, com a conclusão da transação esperada para até 18 de dezembro, sujeita às condições usuais de fechamento. A embarcação CBO Wiser continuará operando para seu atual cliente por meio de um contrato de afretamento mesmo após a venda.

Avaliação positiva dos analistas

Analistas do Bradesco BBI consideraram o negócio fechado em condições bastante atrativas. Cada embarcação foi vendida por US$ 43 milhões, o que representa cerca de 90% do valor de uma embarcação nova, apesar de os navios terem aproximadamente cinco anos de uso. O banco estima que a OceanPact deva receber cerca de R$ 430 milhões líquidos com a operação, valor significativamente superior aos cerca de R$ 220 milhões atribuídos aos ativos em seu modelo. Isso resultaria em uma criação de valor de aproximadamente R$ 207 milhões, ou cerca de R$ 0,44 por ação, equivalente a cerca de 5% do valor de mercado da empresa.

O Itaú BBA também classificou a operação como positiva e alinhada à estratégia de gestão ativa da frota e de alocação eficiente de capital da companhia. Considerando um valor contábil de aproximadamente US$ 20 milhões por embarcação, os analistas estimam um ganho de capital próximo de US$ 45 milhões, equivalente a cerca de 6% do valor de mercado atual da OceanPact. O banco acredita ainda que a estrutura tributária da empresa deverá reduzir a carga fiscal da operação, ampliando a capacidade de distribuição de caixa aos acionistas.

Impacto na alavancagem e dividendos

O JPMorgan destacou que a venda deve acelerar a redução da alavancagem financeira da empresa. O banco estima que, somando a geração de caixa recorrente, a integração da aquisição da CBO e os recursos provenientes da venda das embarcações, a relação dívida líquida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) poderá cair abaixo de 2,5 vezes. Esse patamar permite à companhia distribuir até 100% do lucro líquido na forma de dividendos.

De acordo com os analistas do JPMorgan, a operação deve gerar aproximadamente US$ 78 milhões em entradas líquidas de caixa, além de um impacto positivo de cerca de US$ 38 milhões no lucro líquido. Isso poderia se traduzir em retornos adicionais aos acionistas, fortalecendo ainda mais a atratividade dos papéis em um momento de recuperação do mercado offshore.

Mercado brasileiro preservado

Outro ponto destacado pelas casas de análise é que as embarcações vendidas deverão atuar fora do Brasil após a conclusão da operação. Assim, o negócio não deve aumentar a concorrência no mercado brasileiro de embarcações de apoio offshore nem reduzir a capacidade da frota de bandeira brasileira da companhia. O Itaú BBA mantém recomendação outperform para o papel e preço-alvo de R$ 15 para 2027, o que representa potencial de valorização superior a 65% sobre os níveis atuais.

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