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Dólar sobe e Ibovespa cai com incertezas fiscais e projeções de inflação em alta

03 de novembro de 2026
Dólar sobe e Ibovespa cai com incertezas fiscais e projeções de inflação em alta

Destaques

  • •Mercado financeiro brasileiro reage negativamente a incertezas sobre política fiscal e projeções de inflação elevadas.
  • •Dólar fecha em alta próxima a R$ 5,50 e Ibovespa registra sexta queda consecutiva, atingindo o menor nível desde janeiro.
  • •Decisão do Copom sobre a taxa Selic e sinais sobre a condução da política econômica do novo governo são aguardados.

O mercado financeiro brasileiro encerrou a terça-feira (3) em queda, com o dólar avançando cerca de 1% e se aproximando de R$ 5,50, enquanto a Bolsa de Valores (Ibovespa) ampliou suas perdas pela sexta sessão consecutiva, atingindo o menor nível desde janeiro. A aversão ao risco foi impulsionada por incertezas sobre a política fiscal do novo governo, expectativas para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic e a repercussão de propostas econômicas.

Incertezas fiscais e propostas econômicas pesam no mercado

As dúvidas sobre a condução das contas públicas e a agenda econômica do governo Lula geraram cautela entre os investidores. A repercussão de ideias do economista André Lara Resende sobre mudanças no regime monetário, que incluíam a redução da Selic e o uso de reservas internacionais, também contribuiu para o mau humor. No entanto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as propostas de Lara Resende apresentam deficiências e não estão em discussão no governo, reforçando a defesa de um ajuste fiscal gradual.

O cenário internacional também influenciou as negociações, com eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos e a valorização do dólar frente a outras moedas. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar, avançava 0,13% no pregão.

Ibovespa acumula perdas e ações de peso recuam

O Ibovespa fechou em queda de 1,42%, aos 165.528,92 pontos, o menor patamar de fechamento desde 19 de janeiro. O índice já havia perdido o patamar dos 165 mil pontos durante a sessão. A baixa representou o sexto pregão consecutivo de perdas desde a reeleição de Lula, acumulando um recuo de mais de 19% em seis dias. As ações de Petrobras e Vale, as mais negociadas, contribuíram para a pressão sobre o indicador, em meio a ajustes nos preços internacionais do petróleo e de commodities.

A Cogna foi o destaque negativo, com desvalorização de quase 13%, após o Citi cortar a recomendação dos papéis para venda. Por outro lado, Embraer subiu 4,24%, impulsionada pela valorização do dólar e pela assinatura de um contrato com a Grécia para a venda de aeronaves KC-390 Millennium.

Copom e expectativas inflacionárias no radar

A reunião do Copom, que decidirá sobre a taxa Selic nesta quarta-feira (4), concentrou a atenção dos investidores. A taxa Selic está em 13,75% ao ano, e o mercado acompanha a possibilidade de manutenção do patamar atual diante da piora das expectativas inflacionárias e da desvalorização do real. O Boletim Focus elevou a projeção de inflação para 2027 de 4,34% para 4,76%, acima do teto da meta. A estimativa para a Selic no fim de 2027 também subiu de 11,75% para 12,50%.

A decisão do Banco Central e o comunicado sobre os próximos passos da política monetária devem influenciar o comportamento dos ativos brasileiros nos próximos pregões. Há uma combinação de fatores, como alta nos preços agrícolas, aumento no custo de mão de obra e a volta de tributos sobre combustíveis, que ameaçam acelerar a inflação, enquanto a economia desacelera.

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