Novo crédito imobiliário impulsiona financiamento para 6 em 10 brasileiros

Destaques
- •Pesquisa do DataZAP revela que 60% dos compradores de imóveis tiveram intenção de financiamento aumentada com o novo modelo de crédito imobiliário.
- •A mudança, que altera a forma como bancos utilizam a poupança para financiar imóveis, reduz a dependência dessa fonte e incentiva captação via LCI e LIG.
- •A transição completa do novo modelo ocorrerá em janeiro de 2027, mas já demonstra impacto positivo na intenção de compra.
Seis em cada dez compradores de imóveis afirmam que a intenção de fazer financiamento aumentou com o novo modelo de crédito imobiliário, segundo pesquisa Moradia do Amanhã, do DataZAP (Data & AI do Grupo OLX). Para 34% dos entrevistados, a intenção permaneceu igual, e apenas 7% indicaram que diminuiu. A pesquisa ouviu 673 usuários dos portais OLX, ZAP e Viva Real entre 19 de agosto e 18 de setembro de 2026.
O novo modelo de crédito imobiliário altera a forma como os bancos utilizam o dinheiro da poupança para financiar operações. Anteriormente, 65% dos recursos da caderneta eram obrigatoriamente direcionados ao crédito imobiliário, 15% ficavam livres e 20% eram recolhidos pelo Banco Central (BC) como compulsório. Com a mudança, o total da caderneta se torna uma referência para o repasse ao crédito imobiliário (modalidades SFH e SFI), reduzindo a dependência da poupança e incentivando a captação por meio de Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs).
Impacto por geração e método de compra
A pesquisa aponta que nas gerações Z (18 a 30 anos) e Y (31 a 42), 65% dos entrevistados viram sua intenção de financiar aumentar. Nas gerações X (43 a 62) e BB (63 ou mais), o índice foi de 55%.
Em relação aos métodos de compra, metade dos entrevistados cita o financiamento imobiliário como principal forma. Outras opções incluem programas sociais como Minha Casa, Minha Vida (30%), pagamento à vista (24%), consórcio (13%), permuta (13%), parcelamento com a incorporadora (8%) e uso integral do FGTS (6%). É importante notar que os entrevistados podiam escolher mais de uma opção, resultando em uma média de 1,6 forma por pessoa.
Perfil socioeconômico e valores buscados
Metade dos entrevistados pertence à classe C e 31% à classe B. A renda familiar mensal mediana é de R$ 5.103,75, subindo para R$ 5.546,75 quando considerada a renda de outros participantes da compra. O valor mediano de compra buscado é de R$ 238.690,09.
A distribuição dos valores buscados mostra que 39% procuram imóveis de até R$ 199.999, 43% entre R$ 200 mil e R$ 499.999, 12% entre R$ 500 mil e R$ 999.999, e 6% acima de R$ 1 milhão. A geração Z demonstra maior interesse por imóveis de até R$ 199 mil (61%), enquanto a faixa de R$ 200 mil a R$ 499.999 é mais procurada pela classe B (59%).
Juros e Selic ainda são os principais fatores de interferência
Apesar do otimismo com o novo modelo de crédito, 68% dos entrevistados ainda consideram as taxas de juros do financiamento como o principal fator de interferência na compra. As regras de concessão de crédito aparecem em seguida (66%), e a taxa Selic (64%).
Apenas 11% sentem pouca interferência dos juros do financiamento. Em comparação, a política é citada como fator de pouca interferência por 33% dos entrevistados, sendo o fator de menor peso, embora mais da metade ainda lhe atribua notas de 7 a 10. A taxa do contrato de financiamento é percebida como mais relevante que a Selic.
A mudança completa do novo modelo de crédito imobiliário está prevista para entrar em vigor em janeiro de 2027, após um período de transição gradual.



