Netanyahu busca apoio de Trump em eleição e promete "acabar com o trabalho" contra o Irã

Destaques
- •Netanyahu buscou o endosso de Donald Trump em meio à campanha eleitoral em Israel, sugerindo uma ação conjunta contra o Irã.
- •Trump declarou apoio a Netanyahu, afirmando que "temos que terminar o trabalho que começamos", em referência a uma possível retomada de sanções e ações contra o regime iraniano.
- •A eleição em Israel ocorre após os ataques do Hamas em outubro de 2023 e em um cenário de crescente polarização política e tensões regionais.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, buscou publicamente o apoio do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na véspera de uma eleição em Israel. Em declarações na televisão, Netanyahu elogiou a amizade com Trump e sugeriu que, caso eleito, poderiam retomar ações conjuntas contra o Irã. "Ele ainda tem mais dois anos, e diz que está pedindo a vocês que votem em mim", afirmou Netanyahu, referindo-se a Trump.
Donald Trump, por sua vez, endossou a candidatura de Netanyahu em suas redes sociais, declarando: "Votem em Bibi Netanyahu para primeiro-ministro, temos que terminar o trabalho que começamos!". Netanyahu interpretou a fala como um sinal de que Trump estaria disposto a tomar medidas decisivas para "eliminar a ameaça iraniana", mas apenas se ele permanecesse no poder. "Eu já instruí o Mossad e as Forças de Defesa de Israel (IDF) a derrubar esse regime, a derrubar esse regime, porque essa é a única maneira de pôr fim a essa ameaça", declarou o primeiro-ministro, referindo-se aos serviços de inteligência e às forças armadas israelenses.
Apoio de Trump e a ameaça iraniana
A declaração de Netanyahu sobre a disposição de Trump em agir contra o Irã reforça a narrativa de uma aliança forte entre os dois líderes. Trump, durante sua presidência, adotou uma política de "máxima pressão" contra o Irã, com sanções econômicas e ações militares, como o ataque que matou o general iraniano Qasem Soleimani. Netanyahu sempre defendeu uma postura firme contra o regime iraniano, considerando-o a principal ameaça à segurança de Israel.
A Casa Branca não comentou imediatamente as declarações de Netanyahu. A relação entre os EUA e Israel sob a administração Biden tem sido marcada por tensões em relação à política israelense para os palestinos, mas a cooperação em segurança regional, especialmente no combate ao Irã, permanece um ponto de convergência.
Contexto eleitoral e polarização em Israel
A votação em Israel ocorre em um momento delicado, após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 e as subsequentes operações militares em Gaza. Esta é a primeira oportunidade para os eleitores se pronunciarem sobre a resposta do governo à pior falha de segurança em décadas e às guerras em várias frentes. Netanyahu, que lidera o governo mais à direita da história de Israel, enfrenta um cenário político polarizado.
Pesquisas indicam que o partido Likud, de Netanyahu, pode perder cadeiras, o que poderia comprometer a maioria de sua coalizão. Seus oponentes, como o centrista Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das IDF, também elogiaram Trump como "um verdadeiro amigo de Israel", mas enfatizaram a importância da cooperação com qualquer líder escolhido pelo povo. A política israelense tem se deslocado ainda mais para a direita, com a maioria dos partidos judeus se opondo à "solução de dois Estados" para o conflito com os palestinos.
Próximos passos
Os resultados da eleição determinarão a composição do próximo governo israelense e, consequentemente, a continuidade das políticas internas e externas do país. A relação com os Estados Unidos e a estratégia de enfrentamento ao Irã deverão permanecer como temas centrais no debate político.



