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Mulheres vivem mais, mas planejam aposentadoria com menos recursos

23 de outubro de 2026
Mulheres vivem mais, mas planejam aposentadoria com menos recursos

Destaques

  • •Mulheres brasileiras vivem em média 6,6 anos a mais que homens, mas acumulam 30% menos em previdência privada.
  • •Especialistas recomendam cinco passos para garantir autonomia financeira na aposentadoria, incluindo planejamento de custos de saúde e proteção patrimonial.
  • •Acompanhamento anual do planejamento financeiro e adaptação a transições de vida são cruciais para a segurança na terceira idade.

Mulheres brasileiras vivem, em média, 79,9 anos, 6,6 anos a mais que os homens (73,3 anos), segundo o IBGE. Essa longevidade, no entanto, exige um planejamento financeiro mais robusto para cobrir um período de aposentadoria que pode durar de 30 a 35 anos. Apesar de viverem mais, elas ainda acumulam menos recursos para o futuro. Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) de 2024 indicam que, embora as mulheres representem 44,9% dos contratos de previdência privada aberta, o valor médio de suas contribuições anuais é cerca de 30% menor que o dos homens (R$ 13.187 contra R$ 17.218).

Camila Maximo, da Sou Segura, explica que essa diferença reflete questões estruturais, como salários menores, pausas na carreira e a carga do trabalho de cuidado, e não falta de interesse financeiro. Para garantir a autonomia na aposentadoria, especialistas apontam cinco passos práticos.

Planejamento de custos e inflação da saúde

O primeiro passo é estimar a renda necessária para manter o padrão de vida na aposentadoria, considerando despesas essenciais, lazer e investimentos. Carlos Castro, da SuperRico, alerta para a necessidade de um cálculo pragmático, pois a expectativa de vida mais longa exige planejamento para até 35 anos. É crucial prever a inflação específica da saúde, que inclui custos com planos de saúde após os 59 anos, medicamentos e possíveis cuidadores, como ressalta Tatiana Cardoso, da MAG Gestão Previdenciária. Castro sugere a busca por planos de saúde regionais para mitigar esses custos.

Verificação do INSS e formação de reserva

O segundo passo é conferir o histórico de contribuições ao INSS pelo aplicativo Meu INSS, verificando vínculos e salários. Para autônomas e PJs, a responsabilidade pelo recolhimento é individual. O valor do benefício público, embora médio, poupa a necessidade de acumular quantias muito maiores. O terceiro ponto é formar uma reserva de emergência com liquidez diária, equivalente a 3 a 6 meses de gastos essenciais para celetistas e 12 meses para autônomas. Essa reserva deve ser separada dos investimentos de aposentadoria para evitar o consumo do futuro em momentos de aperto, como adverte Camila Maximo.

Proteção patrimonial e revisões periódicas

A quarta dica é contratar seguros em vida com coberturas para uso durante a vida, como seguro de Doenças Graves (DG), Diária por Incapacidade Temporária (DIT) e Diária por Internação Hospitalar (DIH). Essas apólices protegem a estrutura financeira e evitam o resgate precoce de investimentos. Tatiana Cardoso enfatiza que o DG não substitui o plano de saúde. Por fim, o quinto passo é revisar o planejamento financeiro anualmente ou sempre que ocorrerem transições de vida significativas, como maternidade, divórcio ou mudança de regime de trabalho. Carlos Castro destaca a importância de encarar as questões patrimoniais em casamentos com clareza jurídica desde o início.

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