Ministro da Fazenda: taxa Selic de 13,75% ao ano ainda é muito alta

Destaques
- •Ministro Dario Durigan considera a taxa Selic de 13,75% ao ano excessivamente alta e prejudicial à economia.
- •Governo busca criar condições para uma queda sustentável dos juros, com foco em ajustes fiscais e corte de privilégios.
- •Próximos passos incluem a elaboração de propostas fiscais a serem submetidas ao presidente Lula após sua viagem internacional.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta quinta-feira (5) que a taxa básica de juros, a Selic, mantida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, ainda é considerada muito alta para a economia brasileira. Segundo ele, é fundamental que o governo crie as condições necessárias para uma queda sustentável e estrutural dos juros no país.
Durigan enfatizou que a taxa de juros elevada prejudica todos os setores, incluindo o financeiro e o produtivo. Ele afirmou que o governo Lula tem o compromisso de implementar medidas para garantir as condições adequadas que permitam a diminuição da Selic. O ministro também ressaltou que o governo buscará cumprir a meta fiscal com diálogo e ajustes necessários, sem propor medidas que prejudiquem os mais pobres, focando em cortes de privilégios e revisões de gastos primários para alcançar um orçamento superavitário.
Agenda fiscal e próximos passos
Em coletiva à imprensa após uma reunião com ministros, ex-ministros e economistas no Palácio da Alvorada, Durigan informou que discutirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva medidas para a agenda fiscal do governo. Essas discussões ocorrerão após o retorno do presidente de uma viagem internacional, prevista para terminar em 15 de novembro, que inclui a COP31 na Turquia e compromissos nas Filipinas.
A reunião teve como objetivo avaliar o cenário econômico brasileiro e identificar os principais desafios. Apesar das discussões sobre as contas públicas, não houve definição de medidas específicas de ajuste fiscal. Durigan destacou que o governo pretende apresentar propostas que conciliem responsabilidade fiscal com os compromissos sociais de Lula.
Diagnóstico econômico e propostas
O ministro descreveu a reunião como marcada pela convergência de opiniões sobre o diagnóstico da economia brasileira, com desafios como a taxa de juros e o cenário internacional em destaque. Ele e o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, trabalharão na elaboração de propostas para serem submetidas à avaliação de Lula após sua viagem.
Durigan também informou que o governo pretende definir uma agenda de desenvolvimento com prioridades setoriais, sempre com compromisso fiscal para garantir superávits. A expectativa é que o presidente promova novos encontros com representantes da sociedade civil, empresários e do mercado financeiro. As medidas em estudo deverão preservar os compromissos sociais e contribuir para a melhora do resultado fiscal.
Dívida pública e pronunciamento presidencial
As discussões sobre ajuste fiscal ocorrem em um contexto de avanço da dívida pública brasileira, que atingiu 82,9% do PIB em setembro, equivalente a R$ 11,1 trilhões. O presidente Lula realizará um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão neste domingo (8), onde deverá reforçar o compromisso com a responsabilidade fiscal e a continuidade dos programas sociais, além de abordar a preocupação com a dívida pública e a necessidade de criar condições para a redução da taxa básica de juros. O pronunciamento não deve apresentar medidas específicas de ajuste fiscal.
Matérias originais
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