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Barack Obama: O legado de guerra e intervenção sob a "Esperança e Mudança"

05 de novembro de 2026
Barack Obama: O legado de guerra e intervenção sob a "Esperança e Mudança"

Destaques

  • •A presidência de Barack Obama, eleita com a promessa de "Esperança e Mudança", foi marcada por um aumento significativo de intervenções militares e uso de drones.
  • •Apesar do Prêmio Nobel da Paz, Obama intensificou conflitos no Afeganistão, Iraque e Síria, além de autorizar ataques em Iêmen, Somália e Líbia, com alto custo humano.
  • •Escândalos de espionagem da NSA e políticas domésticas controversas, como deportações em massa e a manutenção de Guantánamo, contrastaram com a retórica progressista.

Há 18 anos, em 4 de novembro de 2008, Barack Obama era eleito presidente dos Estados Unidos, celebrando um marco histórico com o lema "Hope and Change" ("Esperança e Mudança"). A campanha prometia o fim das guerras herdadas de George W. Bush, a restauração dos direitos civis e uma nova era nas relações internacionais. No entanto, a realidade de seus dois mandatos desmentiu essas expectativas, com os EUA envolvidos em conflitos contínuos e uma política externa agressiva.

Um legado de guerras e drones

Obama foi o primeiro presidente americano a estar em guerra durante todos os dias de seus mandatos. Sua administração intensificou ataques no Afeganistão, autorizando o envio de mais de 30 mil soldados e mantendo a ocupação militar. No Iraque, a promessa de retirada foi adiada, e a ascensão do Estado Islâmico em 2014 justificou novas campanhas de bombardeio, com mais de 12.000 bombas lançadas em 2016.

A expansão do uso de drones se tornou uma marca de seu governo, transformando ataques aéreos remotos em um principal instrumento de segurança nacional. O Paquistão foi um dos alvos principais, com ao menos 373 ataques ordenados por Obama, resultando em milhares de mortos, incluindo civis e crianças. Ataques similares ocorreram no Iêmen, justificados pelo combate à Al-Qaeda, mas com um alto número de vítimas civis, incluindo o assassinato extrajudicial do clérigo Anwar al-Awlaki e seu filho adolescente.

Na Síria, Obama forneceu armas e treinamento a grupos armados, aprofundando a guerra civil e a crise humanitária. A intervenção na Líbia em 2011 levou o país ao colapso, mergulhando-o em um estado de anomia política. Ao final de seus mandatos, Obama autorizou mais de 560 ataques com drones e vendeu mais armas a outros países do que qualquer governo desde a Segunda Guerra Mundial.

Prêmio Nobel da Paz e contradições

Em outubro de 2009, Barack Obama recebeu o Prêmio Nobel da Paz, com a justificativa de fortalecer a diplomacia internacional. Contudo, menos de dois meses depois, ele ordenou a intensificação dos ataques contra o Afeganistão. Sua administração também manteve o apoio incondicional às ofensivas israelenses contra a Faixa de Gaza e respaldou a expansão de assentamentos ilegais na Cisjordânia, assinando um acordo de ajuda militar de 38 bilhões de dólares a Israel.

Escândalos de espionagem e políticas internas

Em 2013, o escândalo de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), revelado por Edward Snowden, expôs um gigantesco sistema de interceptação de comunicações, monitorando governos, empresas e cidadãos, incluindo aliados como a Alemanha e o Brasil. Obama defendeu as práticas como necessárias à segurança nacional e seu governo perseguiu vazadores e jornalistas, processando mais pessoas com base na Lei de Espionagem de 1917 do que todos os presidentes anteriores somados.

No plano interno, Obama deu continuidade ao resgate do sistema financeiro iniciado por Bush, socializando perdas e privatizando lucros, enquanto milhões de famílias que perderam suas casas não receberam ajuda. A reforma da saúde expandiu a cobertura, mas manteve o modelo de seguros privados. As deportações atingiram números recordes, com mais de três milhões de pessoas expulsas, e a Prisão de Guantánamo permaneceu funcionando, apesar da promessa de fechá-la.

Intervenções na América Latina e Brasil

O governo Obama teve atuação controversa na Primavera Árabe, apoiando golpes militares no Egito e a repressão no Bahrein, enquanto apoiava a saída de governos na Tunísia. Na Ucrânia, ajudou a articular protestos que levaram à deposição do presidente Viktor Yanukovych.

Na América Latina, a administração Obama preservou mecanismos de intervenção. No golpe de Estado em Honduras em 2009, agiu nos bastidores para impedir o retorno do presidente Manuel Zelaya. No Paraguai, reconheceu rapidamente o novo regime após a derrubada de Fernando Lugo. A relação com a Venezuela foi marcada pela hostilidade, com sanções e uma ordem executiva classificando o país como uma "ameaça à segurança nacional".

No Brasil, a crise diplomática se agravou após o escândalo de espionagem da NSA. A cooperação judicial e de inteligência com promotores da Operação Lava Jato contribuiu para a desestabilização política, o impeachment de Dilma Rousseff e a prisão de Lula, abrindo caminho para o bolsonarismo. A descoberta do pré-sal e a transformação da Petrobrás em instrumento estratégico para o desenvolvimento nacional foram impactadas por mudanças nas regras de exploração após o impeachment, beneficiando interesses internacionais e enfraquecendo a soberania energética.

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