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Milho e soja caem em Chicago com alta oferta e demanda incerta; trigo recua com paz na Ucrânia

03 de novembro de 2026
Milho e soja caem em Chicago com alta oferta e demanda incerta; trigo recua com paz na Ucrânia

Destaques

  • •Contratos futuros de milho e soja atingem mínimas de quatro meses e dois meses e meio, respectivamente, na bolsa de Chicago.
  • •Apesar da queda em Chicago, milho para janeiro de 2027 avança na B3 com valorização do dólar, que melhora paridade de exportação.
  • •Mercado acompanha negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, que podem impactar oferta global de trigo.

Os contratos futuros de milho e soja negociados na bolsa de Chicago (CBOT) registraram quedas significativas nesta terça-feira (03), atingindo as menores cotações em quatro meses e dois meses e meio, respectivamente. O milho para entrega em dezembro fechou com queda de 1,28%, a US$ 4,42 por bushel, enquanto a soja para janeiro recuou 0,23%, a US$ 12,14 por bushel. O trigo também seguiu a tendência de baixa, com o contrato para dezembro desvalorizando 1,11%, a US$ 5,99 por bushel.

Pressão da Oferta e Demanda Incerta

A queda nos preços do milho é atribuída à elevada oferta norte-americana, com a colheita já alcançando 74% da área, e às incertezas sobre a capacidade da demanda em absorver a produção. Relatórios baixistas do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em outubro e novas estimativas de produção brasileira maior para a safra 2026/27 pela StoneX também contribuíram para a desvalorização. A liquidação de posições por fundos de investimento pode intensificar o movimento de baixa.

No caso da soja, a pressão vem da entrada da nova safra nos Estados Unidos, com a colheita atingindo 88% da área, e a expectativa de uma possível revisão positiva nas estimativas de produtividade pelo USDA. A concorrência com o Brasil, principal fornecedor mundial, também gera apreensão quanto à demanda chinesa por soja dos EUA.

Mercado Brasileiro e Fatores Geopolíticos

No mercado brasileiro, o comportamento dos contratos de milho foi distinto. Enquanto o milho para dezembro de 2026 recuava em Chicago, o vencimento janeiro de 2027 avançava 0,59% na B3. Essa movimentação ocorreu em meio à valorização do dólar, que se aproximava de R$ 5,49 e melhorava a paridade de exportação, oferecendo sustentação às cotações domésticas. A Royal Rural avalia que o câmbio tem amortecido parte da pressão internacional, mas recomenda ao produtor observar se a alta dos futuros chega ao mercado físico.

Para o trigo, as expectativas sobre possíveis avanços nas negociações diplomáticas entre Rússia e Ucrânia, mediadas pelos Estados Unidos, pressionaram as cotações. Delegações dos dois países devem se reunir em Abu Dhabi entre os dias 10 e 11 de novembro para discutir o encerramento da guerra e acordos de segurança. O avanço da colheita no Hemisfério Sul, com a entrada de volumes da Austrália e Argentina, também amplia a oferta global.

Demanda por Etanol e Exportações para China

O consumo de milho destinado à produção de etanol nos Estados Unidos também está no radar. Em setembro, as usinas utilizaram 11,14 milhões de toneladas do cereal. Para cumprir a estimativa anual do USDA, a média mensal necessária é de cerca de 12,04 milhões de toneladas, indicando a necessidade de aceleração da demanda industrial.

Em relação às exportações americanas para a China, os dados indicam que as compras chinesas de produtos agrícolas dos EUA, excluindo a soja, caminham para o menor nível em sete anos. Entre janeiro e setembro, a China comprou US$ 7,2 bilhões em outros produtos agrícolas americanos, o menor valor para o período desde 2019. A soja, por sua vez, faz parte de um compromisso separado e a China caminha para cumprir a meta prevista para o produto.

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