Milho e soja caem em Chicago com alta oferta e demanda incerta; trigo recua com paz na Ucrânia

Destaques
- •Contratos futuros de milho e soja atingem mínimas de quatro meses e dois meses e meio, respectivamente, na bolsa de Chicago.
- •Apesar da queda em Chicago, milho para janeiro de 2027 avança na B3 com valorização do dólar, que melhora paridade de exportação.
- •Mercado acompanha negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, que podem impactar oferta global de trigo.
Os contratos futuros de milho e soja negociados na bolsa de Chicago (CBOT) registraram quedas significativas nesta terça-feira (03), atingindo as menores cotações em quatro meses e dois meses e meio, respectivamente. O milho para entrega em dezembro fechou com queda de 1,28%, a US$ 4,42 por bushel, enquanto a soja para janeiro recuou 0,23%, a US$ 12,14 por bushel. O trigo também seguiu a tendência de baixa, com o contrato para dezembro desvalorizando 1,11%, a US$ 5,99 por bushel.
Pressão da Oferta e Demanda Incerta
A queda nos preços do milho é atribuída à elevada oferta norte-americana, com a colheita já alcançando 74% da área, e às incertezas sobre a capacidade da demanda em absorver a produção. Relatórios baixistas do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em outubro e novas estimativas de produção brasileira maior para a safra 2026/27 pela StoneX também contribuíram para a desvalorização. A liquidação de posições por fundos de investimento pode intensificar o movimento de baixa.
No caso da soja, a pressão vem da entrada da nova safra nos Estados Unidos, com a colheita atingindo 88% da área, e a expectativa de uma possível revisão positiva nas estimativas de produtividade pelo USDA. A concorrência com o Brasil, principal fornecedor mundial, também gera apreensão quanto à demanda chinesa por soja dos EUA.
Mercado Brasileiro e Fatores Geopolíticos
No mercado brasileiro, o comportamento dos contratos de milho foi distinto. Enquanto o milho para dezembro de 2026 recuava em Chicago, o vencimento janeiro de 2027 avançava 0,59% na B3. Essa movimentação ocorreu em meio à valorização do dólar, que se aproximava de R$ 5,49 e melhorava a paridade de exportação, oferecendo sustentação às cotações domésticas. A Royal Rural avalia que o câmbio tem amortecido parte da pressão internacional, mas recomenda ao produtor observar se a alta dos futuros chega ao mercado físico.
Para o trigo, as expectativas sobre possíveis avanços nas negociações diplomáticas entre Rússia e Ucrânia, mediadas pelos Estados Unidos, pressionaram as cotações. Delegações dos dois países devem se reunir em Abu Dhabi entre os dias 10 e 11 de novembro para discutir o encerramento da guerra e acordos de segurança. O avanço da colheita no Hemisfério Sul, com a entrada de volumes da Austrália e Argentina, também amplia a oferta global.
Demanda por Etanol e Exportações para China
O consumo de milho destinado à produção de etanol nos Estados Unidos também está no radar. Em setembro, as usinas utilizaram 11,14 milhões de toneladas do cereal. Para cumprir a estimativa anual do USDA, a média mensal necessária é de cerca de 12,04 milhões de toneladas, indicando a necessidade de aceleração da demanda industrial.
Em relação às exportações americanas para a China, os dados indicam que as compras chinesas de produtos agrícolas dos EUA, excluindo a soja, caminham para o menor nível em sete anos. Entre janeiro e setembro, a China comprou US$ 7,2 bilhões em outros produtos agrícolas americanos, o menor valor para o período desde 2019. A soja, por sua vez, faz parte de um compromisso separado e a China caminha para cumprir a meta prevista para o produto.
Matérias originais
- Milho recua 1,28% em Chicago com oferta elevada e dúvidas sobre demanda · cnnbrasil.com.br
- Exportações do agro à União Europeia crescem 14,8% em receita após acordo com Mercosul · moneytimes.com.br
- Milho atinge a menor cotação em 4 meses em Chicago · moneytimes.com.br
- Compras agrícolas da China nos EUA vão ao menor nível em 7 anos apesar de acordo comercial · g1.globo.com



