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Milei descarta guerra pelas Malvinas e ameaça empresas no Atlântico Sul

21 de outubro de 2026
Milei descarta guerra pelas Malvinas e ameaça empresas no Atlântico Sul

Destaques

  • •Presidente argentino Javier Milei afirma que busca solução diplomática para a disputa pelas Ilhas Malvinas.
  • •Milei ameaça proibir empresas que operam nas ilhas de fazer negócios no setor energético argentino, como em Vaca Muerta.
  • •Acompanhar as reações do Reino Unido e o impacto das sanções econômicas nas empresas.

O presidente argentino, Javier Milei, descartou nesta quarta-feira (21/10) a possibilidade de uma operação militar para recuperar as Ilhas Malvinas, ocupadas pelo Reino Unido desde 1833. Em sua participação no Fórum da Nova Economia, em Madri, Milei declarou que o governo argentino não acredita em soluções bélicas e que a busca pela soberania será feita exclusivamente por meio de apelos diplomáticos.

Apesar de reafirmar que as ilhas são argentinas "por direito, por história e por geografia", Milei também apresentou uma nova postura em relação a empresas que operam no território disputado. Ele ameaçou proibir a participação de companhias estrangeiras que façam negócios nas Malvinas de atuar no crescente setor energético argentino, citando como exemplo a região de Vaca Muerta.

Ameaça a empresas estrangeiras

"Aqueles que querem fazer negócios de alto risco nas Ilhas Malvinas, bem, não vamos permitir que façam negócios de baixo risco", afirmou Milei. "No continente, eles não poderão fazer negócios em Vaca Muerta, por exemplo; é muito simples. Continuaremos negociando até que nos devolvam as ilhas, porque somos os legítimos proprietários", completou, sinalizando uma mudança radical em seu discurso anterior sobre a disputa.

A medida visa pressionar o Reino Unido a negociar a soberania das ilhas, que a Argentina reivindica há décadas. A ameaça de sanções econômicas pode afetar empresas que buscam explorar os recursos energéticos, como petróleo e gás, na região do Atlântico Sul.

Mudança de discurso e antecedentes

Durante sua campanha e nos primeiros meses de mandato, Milei havia minimizado a reivindicação das Ilhas Malvinas. Ele chegou a afirmar que os habitantes das ilhas tinham o direito à autodeterminação e declarou-se admirador da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, que liderou a guerra contra a Argentina em 1982 pela posse do arquipélago. No entanto, sua retórica sobre as Malvinas endureceu ao longo de 2016 e ganhou maior destaque durante a Copa do Mundo, quando a seleção argentina exibiu uma bandeira com o slogan "As Malvinas são argentinas".

Apesar da mudança de tom em relação à ação militar, Milei reiterou a importância da disputa territorial para a Argentina e considerou a presença britânica no Atlântico Sul uma ameaça devido aos "riscos geopolíticos e demográficos" que o Reino Unido enfrenta atualmente.

Próximos passos

A expectativa agora é pela reação do governo britânico e das empresas que operam nas Ilhas Malvinas. A aplicação das sanções por parte da Argentina pode gerar um novo capítulo na longa disputa pela soberania do arquipélago, com potenciais impactos no setor energético e nas relações diplomáticas entre os dois países.

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