Marisa: CEO afirma que pior ficou para trás e foca em rentabilidade

Destaques
- •CEO da Lojas Marisa, Edson Garcia, declara que a empresa deixou o modo de sobrevivência e foca em rentabilidade após anos de prejuízo.
- •A estratégia inclui extrair mais produtividade do parque de lojas existente, com ajustes de sortimento e layout, e renegociar a estrutura de capital para aliviar a pressão financeira.
- •A empresa busca recompor a parcela de ações em circulação no mercado, atualmente em cerca de 7%, para um patamar de 20%, com a recuperação dos resultados e um cenário econômico mais favorável.
Após anos de prejuízos e trocas de comando, a Lojas Marisa, listada na Bolsa desde 2007, afirma ter deixado o modo de sobrevivência para trás. Segundo Edson Garcia, CEO da companhia desde 2024, o foco agora é a rentabilidade, com o objetivo de extrair mais produtividade do parque de lojas existente e aliviar a pressão financeira sobre a empresa. Garcia descarta a possibilidade de fechamento de capital.
A estratégia de recuperação da Marisa envolve o fechamento de lojas não rentáveis, enxugamento da estrutura e reposicionamento da marca. O CEO explica que, ao assumir, percebeu a necessidade de ajustar o posicionamento para voltar a atrair a cliente tradicional da classe C, com foco em moda acessível e custo-benefício, utilizando o slogan “de mulher para mulher”. Mudanças no preço, estilo e sortimento, com destaque para moda infantil e masculina, além da reformulação do layout das lojas, buscam aumentar o fluxo e a cesta de compras.
O que ainda precisa ser resolvido?
Apesar da melhora operacional, a Marisa ainda enfrenta desafios na sua estrutura de capital. A empresa acumula sete anos consecutivos de prejuízo anual e possui uma dívida de cerca de R$ 380 milhões, pressionada pelos juros altos. Para mitigar esse impacto, a varejista utiliza créditos tributários de PIS/Cofins e INSS, estimados em quase R$ 1 bilhão, para compensar impostos e direcionar recursos à redução da dívida. A relação entre dívida de curto e longo prazo foi invertida, com 61% agora no longo prazo, buscando alongar o perfil da dívida.
A nota de risco na continuidade da operação, emitida por auditores, é justificada pela matemática da estrutura de capital, onde o passivo circulante ainda supera o ativo circulante no curto prazo. No entanto, Garcia assegura que a empresa está trabalhando para ajustar essa questão por meio de renegociações, alongamento da dívida e melhora do resultado operacional, e que não se trata de um risco de paralisação das atividades.
Ações em circulação e concorrência
Com mais de 92% das ações nas mãos dos controladores, a Marisa planeja recompor a parcela em circulação, atualmente em cerca de 7%, para um patamar de 20%. Essa meta depende da recuperação dos resultados, da queda dos juros e de um mercado de renda variável mais atrativo. Garcia afirma que a empresa está alinhada com a B3 nesse processo. Sobre a concorrência, especialmente com a isenção da “taxa das blusinhas”, o CEO acredita que o impacto é menor para a Marisa, pois a empresa oferece a possibilidade de a cliente tocar na peça, provar e levar na hora, com preços competitivos para seu público-alvo.
Prioridades e planos futuros
As prioridades para o próximo ano, segundo Edson Garcia, são a rentabilização da operação e a extração de maior produtividade do parque atual, sem planos de expansão com abertura de novas lojas em 2027. A empresa busca aproveitar melhor os recursos existentes, com foco em coleções, posicionamento de preço, moda infantil e aumento da recorrência de compras. Haverá um momento de expansão, mas não no curto prazo. A família controladora segue presente como acionista e no conselho, apoiando a governança da empresa.



