Macron busca conter crise na França com diálogo e reforço de segurança

Destaques
- •Presidente francês Emmanuel Macron recebe líderes estudantis e forças de segurança em meio a protestos e eleições presidenciais se aproximando.
- •A instabilidade política eleva os juros da dívida francesa a níveis não vistos desde 2002, com expectativa de rebaixamento de rating pela Moody's.
- •Acompanhar as próximas mobilizações e a resposta do governo às demandas estudantis e à crise fiscal.
O presidente francês, Emmanuel Macron, intensificou seu envolvimento direto na tentativa de conter a crise social e política que assola o país há mais de um mês. Nesta sexta-feira (23/10), ele recebeu pela primeira vez líderes estudantis no Palácio do Eliseu e se reuniu com representantes das forças de segurança, um dia antes de uma nova jornada de mobilizações. A iniciativa busca retomar a iniciativa política a seis meses das eleições presidenciais, onde a extrema direita aparece como favorita nas pesquisas.
Pela manhã, Macron presidiu o Conselho de Defesa para discutir novas medidas de segurança, após a imposição de toques de recolher e a proibição de manifestações em diversas cidades. À tarde, recebeu representantes de estudantes do ensino médio, antecipando-se ao primeiro-ministro. Os estudantes pretendem apresentar demandas como a melhoria das condições escolares e a reforma do sistema de acesso ao ensino superior, o Parcoursup. Contudo, há ceticismo sobre a efetividade do diálogo, com alguns líderes estudantis temendo que as promessas não se concretizem.
Reforço na segurança e repressão a atos violentos
Paralelamente à abertura ao diálogo, o governo francês não demonstra sinais de flexibilização na área de segurança. Macron reuniu-se com representantes das forças de segurança, reforçando a resposta do Estado aos protestos. Na véspera, o presidente havia pedido maior dureza contra os autores de atos de violência, acusando grupos da ultraesquerda de tentarem desestabilizar a República. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, destacou a dimensão da resposta judicial, com 217 pessoas presas e cerca de 2.700 detidas após episódios de violência e saques que atingiram aproximadamente 3.000 estabelecimentos comerciais.
Para o sábado (24/10), organizadores esperam uma nova mobilização nacional. No entanto, Macron afirmou que apenas atos promovidos por sindicatos serão autorizados. Manifestações em cidades como Lyon e Marselha foram proibidas, embora as decisões possam ser contestadas judicialmente. Em Paris, um percurso específico foi autorizado, e a prefeitura pediu máxima vigilância, com recomendação para comerciantes reforçarem a segurança privada. O efetivo de segurança será 20% maior que na semana anterior, com apoio de militares e unidades de elite.
Congresso da extrema direita e preocupações fiscais
Outro ponto de atenção no fim de semana é o congresso do partido de extrema direita Reunião Nacional (RN) em Orléans, sob forte esquema de segurança. Espera-se a presença de 20 mil a 30 mil manifestantes contrários ao RN, incluindo líderes de partidos de esquerda e centrais sindicais. Cerca de 3 mil agentes de segurança serão mobilizados.
Lideranças da esquerda acusam o governo de priorizar a segurança em detrimento de soluções políticas para as reivindicações populares, que incluem melhorias na educação, aumento de salários e investimentos em serviços públicos. O Executivo, porém, enfrenta dificuldades fiscais, com um orçamento marcado por cortes e contenção de gastos em um cenário de deterioração das contas públicas. A instabilidade política reflete nos mercados: os juros dos títulos da dívida francesa de dez anos superam 5%, nível não visto desde 2002, refletindo a preocupação dos investidores com a situação fiscal e o endividamento do país. A agência de classificação de risco Moody's pode rebaixar a nota de crédito da França nesta sexta-feira, o que poderia elevar ainda mais o custo de financiamento da dívida pública.
Matérias originais
- Macron assume comando da segurança nas manifestações e recebe estudantes · operamundi.uol.com.br



