Economia & PolíticaRelevância BR: 9/10

Lula fará pronunciamento para acalmar mercado e falar de pacificação

04 de novembro de 2026
Lula fará pronunciamento para acalmar mercado e falar de pacificação

Destaques

  • •Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará pronunciamento em rede nacional de rádio e TV neste domingo para acalmar o mercado financeiro.
  • •Lula deve anunciar medidas de ajuste fiscal e contenção de gastos, discutidas com os ministros da Fazenda e do Planejamento.
  • •O pronunciamento visa também promover a pacificação do país e agradecer o apoio recebido na eleição.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão neste domingo, 8, com o objetivo de acalmar os ânimos do mercado financeiro e promover uma ideia de pacificação do país em seu quarto mandato. A fala ocorre após uma semana de turbulência no mercado, que reagiu negativamente à vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, com o Ibovespa registrando quedas históricas.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o presidente pretende assegurar que seguirá perseguindo as metas fiscais, ao mesmo tempo em que não deixará de cumprir promessas de campanha. Para isso, Lula anunciará medidas de ajuste fiscal e contenção de gastos que estão sendo discutidas com os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento). Os ministros se reuniram com o presidente no Palácio da Alvorada antes de ele viajar para São Paulo para exames médicos.

Ajuste fiscal e promessas de campanha

A expectativa é que as medidas de contenção de gastos e aumento de arrecadação sejam anunciadas nas próximas semanas. Durante a campanha, Lula não deu indicações claras sobre como implementaria o ajuste fiscal, tendo afirmado que fazer superávit primário era “babaquice” e lançado um pacote de medidas que supera R$ 400 bilhões. Entre as promessas que precisarão ser encaixadas no Orçamento dos próximos anos estão a criação do Pé-de-Meia para universitários e a universalização para alunos do ensino médio, a construção de mais de 100 presídios de segurança máxima, e reajustes do Bolsa Família e do salário mínimo. Novas medidas e promessas anunciadas durante a campanha exigirão ajustes de ao menos R$ 39,8 bilhões no Orçamento de 2027.

Na sexta-feira que antecedeu o primeiro turno, o ministro Dario Durigan afirmou que Lula promoveria um ajuste das contas públicas sem “cavalo de pau” ou “loucuras na economia”, em contraste com o “tesouraço” do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL). Contudo, o ministro também criticou a reação do mercado financeiro à discussão sobre a proposta do economista André Lara Resende para os juros, defendendo que o presidente ouça diferentes ideias. Segundo Durigan, a proposta de Lara Resende, que prevê a redução gradual da Selic para perto de 7,5% ao ano e a atuação do Banco Central no câmbio, não está sendo considerada pelo governo e apresenta “várias deficiências”.

Pacificação e agradecimentos

No pronunciamento, Lula também agradecerá a mulheres, estudantes e idosos pela “histórica virada” sobre Flávio Bolsonaro. Ele reconhecerá o cenário polarizado mostrado pelas urnas e pedirá uma união da população em torno dos projetos do governo. A fala será a primeira formal do presidente aos brasileiros após sua reeleição em 25 de outubro.

O presidente manteve-se recluso na semana passada, comemorando seu aniversário no Palácio da Alvorada e usando os dias para descansar na Granja do Torto, casa de campo da Presidência da República. A decisão de fazer o pronunciamento foi anunciada após um almoço com o deputado reeleito André Janones (Rede-MG).

Mercado aguarda definições

A Bolsa paulista ensaiava uma trégua nesta quarta-feira (4), após seis pregões seguidos de queda, com o Ibovespa subindo 1,38%. No entanto, o alívio não significa maior confiança dos investidores nos planos econômicos do próximo mandato. Economistas apontam a falta de propostas concretas e a indefinição sobre o nome do futuro Ministro da Fazenda como principais preocupações. A discussão sobre a proposta de André Lara Resende, mesmo negada pelo ministro Durigan, continua sendo um ponto de atenção, pois aumenta o receio de mudança na condução da política econômica.

A pressão sobre as contas públicas também é evidenciada pelas projeções do Tesouro, que estima a dívida bruta do governo geral em 83,7% do PIB em 2026. A falta de clareza sobre medidas para estabilizar a dívida mantém a incerteza, e o mercado aguarda sinalizações fiscais mais consistentes e o respeito à autonomia do Banco Central para rever sua percepção.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Lula fará pronunciamento para acalmar mercado e falar de pacificação | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias