Lula e Flávio Bolsonaro aceitam acordo para quebra mútua de sigilos antes do 2º turno

Destaques
- •Candidatos à Presidência concordam em apresentar dados bancários, fiscais e telefônicos ao TSE.
- •Acordo prevê divulgação simultânea e integral dos sigilos de ambos, incluindo empresas ligadas.
- •Decisão ocorre a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais.
Em um movimento que visa aumentar a transparência a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegaram a um acordo para a quebra mútua e simultânea de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. A decisão foi formalizada em um documento conjunto apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22.out.2026).
O acordo atende ao desafio lançado por Lula durante o debate da Band no último domingo (18.out), quando propôs a divulgação de seus dados e de seus familiares, condicionada a uma medida equivalente por parte de seu adversário. Flávio Bolsonaro aceitou a proposta, mas apresentou uma série de exigências, incluindo a ampliação do período de análise para 20 anos e a inclusão de dados de empresas ligadas a ele, como a Alcazar Holdings, de propriedade do advogado Willer Tomaz. A campanha de Lula, por sua vez, afirmou não se opor às condições, mas insistiu na inclusão da Alcazar Holdings nos dados a serem divulgados.
Condições e Contrapropostas
A troca de exigências entre as campanhas gerou um clima de cautela e negociação nos bastidores. Lula propôs inicialmente a liberação de seus sigilos e dos de seus parentes referentes aos últimos 8 anos. Em resposta, Flávio Bolsonaro solicitou a ampliação do período para 20 anos e impôs condições que incluíam a quebra de sigilos de assessores próximos, como Marco Aurélio Santana Ribeiro, o "Marcola", além de dados de empresas de familiares e sócios, registros de visitantes no Palácio do Planalto, informações sobre o cartão corporativo da Presidência e agendas da primeira-dama, Janja.
A campanha de Lula declarou que não se opõe às exigências de Flávio, mas reforçou a necessidade de que a "régua da transparência seja a mesma para ambos os lados", insistindo na inclusão dos dados da Alcazar Holdings. A Polícia Federal encontrou registros que indicam que Flávio Bolsonaro figurava como "usuário master" da conta da empresa em um banco privado.
Análise e Próximos Passos
A campanha de Flávio Bolsonaro escalou o senador eleito Deltan Dallagnol para analisar os documentos de Lula, citando seu conhecimento sobre a Operação Lava Jato. Dallagnol, que integrou a força-tarefa da Lava Jato e foi responsável pela denúncia que levou à condenação de Lula em 2018, afirmou que a documentação precisa ser examinada com rigor. Por outro lado, a defesa de Flávio, representada pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, condicionou a apresentação dos dados do PL à análise prévia do material entregue por Lula, declarando: "Se eles trouxerem tudo, a gente traz".
O acordo prevê que ambos os candidatos apresentem a documentação ao TSE até as 23h59 desta quinta-feira (22.out.2026). O ministro André Mendonça, relator do caso na Corte, deverá autorizar a requisição dos dados ao Banco Central, Receita Federal, instituições financeiras e operadoras de telefonia para divulgação pública. A resolução deste impasse ocorre a apenas quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25.out).
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