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Justiça torna 12 da Voepass réus por acidente que matou 62 em Vinhedo

21 de outubro de 2026
Justiça torna 12 da Voepass réus por acidente que matou 62 em Vinhedo

Destaques

  • •Doze pessoas ligadas à Voepass foram denunciadas pela Justiça Federal por crimes relacionados ao acidente aéreo em Vinhedo, que deixou 62 mortos.
  • •MPF aponta que a empresa priorizava economia em detrimento da manutenção, e que a aeronave não deveria ter decolado com o sistema de proteção contra gelo inoperante.
  • •A Justiça Federal aceitou a denúncia, instaurando processo pelos crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo.

A Justiça Federal tornou 12 integrantes da Voepass réus pelo acidente aéreo em Vinhedo (SP), ocorrido em 9 de agosto de 2024, que resultou na morte de 62 pessoas. A denúncia, aceita pelo Ministério Público Federal (MPF), instaura um processo pelos crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo. A acusação também aponta para uma cultura organizacional da empresa que priorizava a economia de recursos e o lucro em detrimento da manutenção das aeronaves.

Cúpula da empresa entre os acusados

Na lista de réus estão membros da alta administração, diretorias e outros postos de chefia da Voepass na época do acidente. Segundo o MPF, essas pessoas eram responsáveis pelas decisões que criaram as condições para a queda do avião. Dois outros funcionários, sem cargos de comando, também responderão pelos crimes por terem tido contribuição direta para o desfecho. Quatro pessoas que haviam sido indiciadas pela Polícia Federal firmaram acordos de não persecução penal e não foram denunciadas.

O MPF afirma que os crimes atribuídos aos denunciados estão relacionados não apenas à queda da aeronave, mas também ao risco ao qual passageiros e tripulantes foram submetidos em três voos anteriores realizados com o mesmo avião. A denúncia descreve o desastre como um "desfecho previsível de um processo continuado de omissões deliberadas na manutenção preventiva, de descumprimento de normas regulatórias e de degradação consciente do gerenciamento de segurança operacional".

Aeronave não deveria ter decolado, diz investigação

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que o acidente foi resultado de uma sucessão de falhas da empresa, da tripulação e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo a investigação, a aeronave ATR-72 de matrícula PS-VPB não deveria ter decolado, pois operava com o sistema Airframe De-Icing, responsável pela proteção contra o acúmulo de gelo, inoperante. O gelo acumulado nas superfícies críticas da aeronave degradou o desempenho do avião, provocando perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e, posteriormente, a queda.

A investigação apontou que a decolagem ocorreu em desacordo com os requisitos operacionais, uma vez que o sistema de proteção pneumática contra gelo estava indisponível. Nessas circunstâncias, caso houvesse possibilidade de ingresso em condições de formação de gelo, a aeronave não deveria ter sido despachada para o voo. A empresa, contudo, autorizou a operação mesmo diante da pane conhecida.

Erros da tripulação e cultura de segurança falha

Além da falha no despacho da aeronave, o relatório identificou erros da tripulação durante o voo. Segundo o Cenipa, os pilotos demoraram a reconhecer a gravidade da degradação de desempenho provocada pelo gelo e não executaram, em tempo oportuno, os procedimentos previstos pelo fabricante para abandonar a área de formação severa de gelo e manter a velocidade mínima de segurança. Ambos estavam regularmente habilitados e haviam recebido treinamento específico.

A investigação também encontrou problemas estruturais na cultura de segurança operacional da Voepass. A análise de mais de 1.200 voos da aeronave revelou registros recorrentes de degradação de desempenho, falhas no sistema de degelo e alertas ignorados pelas tripulações. O MPF também afirma que a empresa sabia que o modelo ATR 72-500 não possui certificação para operar em condições críticas de gelo, mas escalou a aeronave mesmo com alertas indicando formação de gelo severo.

Posicionamento da Voepass e defesa

Em nota, a Voepass afirmou que seguirá colaborando com as autoridades e que "manteve a segurança operacional como princípio fundamental" por três décadas. A companhia declarou que o processo seguirá os trâmites legais e que seus procedimentos são orientados pela regulamentação aeronáutica e diretrizes internas de segurança. A defesa de José Luiz Felício Filho, que integrava o Conselho da Voepass e retomou a gestão executiva após o acidente, informou que se manifestará nos autos e que o executivo tem colaborado com as autoridades.

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