Júri condena quarto réu por assassinato de Mãe Bernadete

Destaques
- •Sérgio Ferreira de Jesus foi condenado a 23 anos e nove meses de prisão pelo homicídio qualificado da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira.
- •Este é o quarto condenado por envolvimento no crime, que ocorreu em agosto de 2023 e teria sido motivado pela atuação da vítima contra o tráfico de drogas.
- •A Justiça segue apurando os detalhes do crime e buscando esclarecer o assassinato do filho de Mãe Bernadete, ocorrido em 2017.
O tribunal do Júri da Comarca de Salvador condenou Sérgio Ferreira de Jesus a 23 anos e nove meses de prisão por seu envolvimento no assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete. Esta é a quarta condenação relacionada ao crime, que chocou o país pela brutalidade e pelo contexto de luta por direitos.
A condenação, ocorrida nesta quarta-feira (21), foi pelo crime de homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, emprego de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso proibido de arma de fogo. Segundo a acusação, Sérgio Ferreira de Jesus atuou no planejamento do assassinato, indicando a melhor rota até o local do crime e ficando com o celular de Mãe Bernadete, que foi levado.
O crime e os outros condenados
Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023 no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Bahia. Os assassinos invadiram a casa onde ela estava com os netos e efetuaram 25 disparos. A promotoria aponta que o motivo do crime foi a atuação da líder quilombola contra a expansão do tráfico de drogas na comunidade.
Os outros três réus já condenados são: Arielson da Conceição dos Santos, sentenciado a 40 anos, 5 meses e 22 dias de reclusão; Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como BZ ou Buzuin, a 28 anos de reclusão; e Marílio dos Santos, a 29 anos e 9 meses. Marílio dos Santos, no entanto, faleceu dois dias após o seu julgamento.
A luta de Mãe Bernadete e o legado
Maria Bernadete Pacífico Moreira era uma ialorixá e líder comunitária respeitada internacionalmente por sua incansável luta pelos direitos dos povos quilombolas. Ela também atuou como secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Simões Filho. Por anos, Mãe Bernadete denunciava que recebia ameaças de morte, mas seguia firme em sua missão.
Desde 2017, a líder quilombola também buscava justiça pelo assassinato de seu próprio filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo. Até o momento, o crime contra seu filho não foi esclarecido, e a busca por justiça continua.
Matérias originais
- Mãe Bernadete: Júri condena quarto acusado a 23 anos de prisão · agenciabrasil.ebc.com.br



