JPMorgan analisa queda da Cyrela e vê potencial de desvalorização de até 60%
Destaques
- •JPMorgan investiga até onde a desvalorização das ações da Cyrela pode chegar, com potencial de queda de 40% a 60% no lucro por ação.
- •Análise histórica sugere cautela, enquanto leitura fundamentalista aponta para um valor justo entre R$ 13,50 e R$ 15,50.
- •A Cyrela mantém recomendação neutra para a ação, aguardando catalisadores para recuperação no curto ou médio prazo.
Os analistas do JPMorgan investigam o potencial de desvalorização das ações da construtora Cyrela (CYRE3), que já acumulam queda de 51% desde o início da desvalorização e 36,9% no último mês. A preocupação dos investidores com a performance dos papéis motivou a análise, que utilizou duas abordagens distintas: uma histórica e outra fundamentalista.
A análise histórica examinou o comportamento do lucro por ação (LPA) e dos múltiplos de valuation da companhia em períodos de crise passados. Ao longo de sua trajetória, a Cyrela sofreu revisões negativas no LPA em todos os anos entre 2009 e 2018, com uma média de aproximadamente 25%. Projetando um cenário semelhante ao observado em 2014-2015, o JPMorgan prevê uma revisão negativa de 40% a 60% nas estimativas de LPA para 2027. Considerando que as revisões para 2026 já estão em -14%, um novo ciclo de mercado baixista prolongado poderia manter o múltiplo da companhia entre 0,5x e 0,8x por um longo período.
Leitura fundamentalista aponta para valorização limitada
Por outro lado, a leitura fundamentalista oferece uma perspectiva mais otimista. Segundo o banco, o preço atual da ação, em torno de R$ 17,40, já reflete um custo de capital próprio de 18% a 19% e um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) sustentável de cerca de 14%. O ROE médio da Cyrela desde 2008 foi de 12%, e os analistas estimam um valor justo para a ação entre R$ 13,50 e R$ 15,50. Essa abordagem sugere um potencial de queda limitado a partir dos níveis atuais.
Segmento de baixa renda e rentabilidade atual
Um ponto de destaque na leitura histórica é a expectativa de maior resiliência do LPA da Cyrela em comparação com crises anteriores. Atualmente, a empresa tem uma participação maior no segmento de baixa renda, que representou 27% dos lançamentos nos primeiros nove meses de 2026, contra menos de 10% entre 2014 e 2015. Além disso, a rentabilidade dos empreendimentos voltados à baixa renda é significativamente maior hoje do que no passado.
Apesar das diferentes perspectivas, a Cyrela decidiu manter uma recomendação neutra para suas ações. A companhia aguarda a identificação de catalisadores que possam impulsionar uma recuperação no curto ou médio prazo.



