JBS: JBS enfrenta 3º tri desafiador com China e custos altos

Destaques
- •JBS projeta um terceiro trimestre de 2026 com Ebitda ajustado em queda de 30% e margens pressionadas, segundo analistas.
- •A China limitou importações de carne bovina, impactando volumes e preços no Brasil e Austrália, enquanto EUA mostram recuperação.
- •Apesar do cenário adverso, casas de análise mantêm recomendação de compra para as ações da JBS, com preços-alvo entre R$ 100 e R$ 104,60.
A JBS (JBSS32) deve enfrentar um terceiro trimestre de 2026 (3T26) desafiador, com as cotas chinesas de importação de carne bovina pressionando os volumes, os preços e as margens das operações no Brasil e na Austrália. A recuperação da rentabilidade da carne bovina nos Estados Unidos é vista como o principal ponto positivo, mas analistas de XP Investimentos, BTG Pactual e Itaú BBA avaliam que não será suficiente para compensar as dificuldades em outras unidades de negócios.
O BTG Pactual projeta Ebitda ajustado de US$ 1,28 bilhão no período, uma queda de 30% na comparação anual, com margem de 5,5%. A XP Investimentos estima receita de US$ 22,8 bilhões, alta de 1% em um ano e recuo de 5% frente ao segundo trimestre, além de Ebitda de US$ 1,3 bilhão e margem de 5,8%. O Itaú BBA também prevê Ebitda de aproximadamente US$ 1,3 bilhão e avalia que o resultado pode ficar abaixo das expectativas dos investidores.
Dificuldades no Brasil e Austrália
No Brasil, a operação de carne bovina da Friboi deve ser um dos principais detratores dos resultados. O esgotamento da cota anual de importação da China reduziu as oportunidades de exportação e pressionou os preços realizados, enquanto os custos do gado continuam sendo uma preocupação. A XP espera que as margens da operação recuem para níveis baixos de um dígito.
Na Austrália, a combinação entre o preenchimento das cotas chinesas e os preços mais elevados dos animais também deve prejudicar o desempenho. O BTG, contudo, vê possibilidade de recuperação dos embarques no quarto trimestre, para entregas dentro da cota chinesa de 2027.
Recuperação nos EUA e desafios em aves e suínos
Na direção oposta, a carne bovina nos Estados Unidos deve apresentar os primeiros sinais mais claros de recuperação. A redução dos custos do gado, favorecida pela reabertura da fronteira mexicana para a entrada de animais vivos e pelo aumento da disponibilidade de animais, deve melhorar os spreads de processamento. O Itaú BBA projeta expansão de 175 pontos-base na margem da operação em relação ao trimestre anterior, com retorno à rentabilidade positiva e Ebitda estimado em US$ 32 milhões.
As operações de aves e suínos também devem contribuir para um trimestre mais fraco. A Pilgrim’s Pride (PPC), nos Estados Unidos, tende a sofrer com a normalização das margens de frango após níveis historicamente elevados. Na Seara, a rentabilidade deve recuar em relação ao segundo trimestre, apesar de margens ainda saudáveis, diante de spreads mais fracos, excesso de oferta global de carne suína e maiores custos de embalagens.
Perspectivas e recomendações
Para os próximos trimestres, a recuperação da carne bovina norte-americana e a possibilidade de retomada dos embarques brasileiros e australianos são fatores de sustentação. A XP avalia que o ciclo de revisões negativas das estimativas de resultados da JBS pode ter ficado para trás, com revisões positivas ganhando espaço gradualmente.
Apesar do trimestre difícil, as três casas mantêm uma visão favorável para a ação. A XP reitera recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 104,60 para os BDRs da JBS, enquanto o BTG Pactual também recomenda compra, com preço-alvo de R$ 100. O Itaú BBA mantém recomendação equivalente a desempenho acima da média do mercado (outperform), com preço-alvo de US$ 18 para 2027.



