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Jatinhos ultralongos disparam em vendas no Brasil e no mundo

22 de outubro de 2026
Jatinhos ultralongos disparam em vendas no Brasil e no mundo

Destaques

  • •Aeronaves de ultralong alcance (ULR) dobram de participação no Brasil desde 2019, impulsionadas por bilionários.
  • •Modelos como o Gulfstream G650 e Bombardier Global 7500 oferecem autonomia comparável a aviões comerciais, com custos operacionais menores que jatos adaptados de linha aérea.
  • •Aumento global de bilionários e corrida tecnológica entre fabricantes como Gulfstream, Bombardier e Dassault impulsionam o mercado de luxo da aviação executiva.

A aviação executiva no Brasil registrou um crescimento expressivo de 45% nas aeronaves emplacadas desde 2019, totalizando 1.167 unidades. Dentro desse segmento, as aeronaves de ultralong alcance (ULR) se destacam, dobrando sua participação e alcançando 74 unidades.

Esses jatinhos de luxo, que podem ultrapassar os US$ 70 milhões (R$ 350 milhões), oferecem autonomia comparável à de aviões comerciais de corredor duplo, como o Boeing 787. Enquanto jatos leves como o Embraer Phenom 300, o mais vendido no mundo, têm alcance limitado à América do Sul a partir de São Paulo, os ULRs permitem viagens intercontinentais com poucas escalas. Por exemplo, um modelo como o Bombardier Global 7500 pode dar a volta ao mundo partindo de São Paulo, com paradas em cidades como Los Angeles, Tóquio e Dubai.

O que diferencia os ultralongos

As aeronaves ULR são significativamente maiores, podendo transportar até 18 passageiros, e oferecem cabines luxuosas com comodidades como chuveiros e camas king-size. Sua principal vantagem, no entanto, é a autonomia, que permite voos de longa distância sem a necessidade de escalas frequentes. Essa capacidade os torna uma alternativa mais eficiente e econômica em comparação com aviões comerciais adaptados (BBJs e ACJs), que consomem cerca de 45% mais combustível e exigem maior infraestrutura aeroportuária.

Apesar do alto custo inicial, a operação de um ULR, considerando combustível, manutenção e tripulação, pode ser mais vantajosa a longo prazo do que a de um jato comercial adaptado. A preferência por ULRs se intensifica para viagens intercontinentais, onde a flexibilidade de pouso em pistas menores e a menor necessidade de infraestrutura são diferenciais importantes.

Mercado e Fabricantes no Brasil

No Brasil, a Gulfstream lidera o mercado de ULRs, com 42 das 74 aeronaves registradas na Anac. A canadense Bombardier aparece em segundo lugar, com 23 unidades, seguida pela francesa Dassault, com 9 aeronaves.

O crescimento dos jatinhos ultralongos é um fenômeno global. Entre 2019 e 2025, as vendas combinadas de Gulfstream e Bombardier nesse segmento aumentaram 32%, enquanto as de outras categorias de jatos registraram queda de 1,4%. A quantidade de decolagens de ULRs cresceu 56% no mesmo período, contra 32% das demais categorias.

O fator bilionários

O aquecimento do mercado de ULRs está diretamente ligado ao aumento global do número de bilionários em dólar, que saltou 60% de 2019 para cá, totalizando 3,4 mil indivíduos com patrimônio somado de US$ 20,1 trilhões. Esse público possui o poder aquisitivo necessário para adquirir e manter aeronaves de altíssimo valor.

A demanda crescente tem impulsionado uma corrida tecnológica entre os fabricantes. A Dassault, por exemplo, lançará o modelo 10X, com alcance de 14 mil km, para competir com os modelos de maior autonomia da Bombardier e Gulfstream. A Bombardier já atualizou seu Global 7500 para o Global 8000, que oferece 600 km a mais de alcance por um custo adicional de US$ 7 milhões.

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